O momento, como de costume, é de reflexões. Pensamos no que passou e no que esperamos do próximo ano. Pensamento natural, e culturalmente criamos o hábito de abrir e fechar ciclos.
A novidade é pensar nas tendências. O avanço tecnológico nos leva a exercitar a futurologia: o que esperar do que ainda é desconhecido?
Nos últimos dois anos a palavra de ordem foi ressignificar. Foram atualizados os conceitos de trabalho, as prioridades e relações de consumo, a relação com o lar, com a família, o convívio social, entre tantas outras coisas.
Progredimos, evoluímos e, ao mesmo tempo, notamos a fragilidade, a vulnerabilidade das pessoas, dos negócios, e os impactos começam a ser mensurados ao redor do mundo. Uma recente pesquisa do jornal médico The Lancet revela aumento de 28% nos casos de depressão durante os últimos dois anos.
Soluções que tenham como foco a saúde mental devem ganhar espaço no mercado na próxima década. A área da saúde em geral tem revelado grandes avanços tecnológicos: consultas remotas, ferramentas de monitoramento dos sinais vitais em tempo real e biomarcadores já são uma realidade.
Houve mudanças significativas em relação ao espaço de trabalho, saímos do modelo físico, passamos pelo remoto e estamos nos adaptando ao híbrido, mas aprendemos que podemos desenvolver nossas atividades de qualquer lugar que ofereça infraestrutura mínima. A questão da adaptação é individual, enquanto alguns conseguem desempenhar bem o serviço em um ambiente movimentado, outros precisam de mais privacidade e concentração. Em comum, a liberdade de escolher o local de trabalho que mais agradar.
Ainda sobre trabalho, é grande a movimentação em busca de realização pessoal. A relação com o emprego mudou e, para muitos, deixa de ser apenas meio de sobrevivência para ser um propósito de vida. Este comportamento será um grande desafio para as empresas, em especial as de manufatura.
O metaverso avança de maneira irreversível. Mais do que as telas e um mundo paralelo, as experiências ganham a realidade e o mercado através da imersão e da colaboração. O blockchain possibilita a descentralização da tecnologia, reduzindo as barreiras de entrada impostas pelas Big Techs e, mais do que isso, oferece um meio separado de monetização, recompensando melhor criadores e artistas individuais pelas contribuições geradas. Em pouco tempo conheceremos mais uma classe social, a dos “cripto-ricos”.
Daria para escrever um livro com a quantidade de novidades e mudanças de comportamento que estão por vir, das transformações na relação de consumo, B2C, B2B às transições em toda a cadeia e seus diversos segmentos de mercado. As estruturas de apoio como o judiciário e o legislativo também sofrerão impacto, pois adaptações serão necessárias.
Para finalizar, se posso deixar uma mensagem no primeiro dia de 2022 é que, independentemente de qual seja sua área de atuação, seu cargo ou função, eu desejo que tenha um propósito claro e encontre seu papel no ecossistema empreendedor. Que você seja protagonista em sua jornada e não fique esperando decisões políticas, econômicas ou qualquer outra ação externa para realizar os seus sonhos.
Que o ano seja de sucesso e muitas realizações!
Jean Dunkl
@jeandunkl
CEO da CPD Consultoria e da Espacio de Color, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, gestor da Impera e voluntário da Singularity University