Todos nós sabemos que empreender não é para amadores. Com o tempo, a bagagem adquirida nos permite errar menos, mas não nos isenta totalmente dos erros.
Em minhas mentorias atendo desde empresários jovens aos mais vividos, bem como startups e também negócios mais maduros, e ficam evidentes os benefícios de se poder contar com alguma experiência. Poder tomar alguns atalhos e desviar de armadilhas contribui absurdamente para o sucesso de qualquer empresa.
Um dos erros mais cometidos é a falta de foco. No desespero de que o projeto atinja algum resultado, os menos experientes acabam sendo seduzidos por propostas tentadoras, mas pouco efetivas.
Neste caso, duas perguntas sempre ajudam: “a proposta está alinhada com os propósitos da sua empresa?” e mesmo que esteja alinhada “ela se integra com alguma de suas entregas?”. Se a resposta para uma dessas perguntas for não, decline e mantenha seu foco.
Muitas vezes, sou questionado sobre os principais erros que encontro mentorando startups e, diferente do que muitos pensam, a maioria deles não está relacionada a processos e, sim, às pessoas e seus comportamentos, principalmente dos idealizadores.
Decidi, então, falar um pouco sobre estes comportamentos hoje com vocês.
Nunca se subestime. São inúmeras as variáveis em um negócio e, conforme você avança, mais necessidade de mudanças e adaptações você encontra. Por isso, ter autoconfiança é imprescindível, pois é comum questionarmos nossa capacidade em alguns momentos, sobretudo nos mais difíceis, mas é importante manter-se firme em seus objetivos. Se você não acreditar no potencial da sua empresa e em sua capacidade de realização, quem irá acreditar?
Todos almejam crescer, mas crescer sem estratégia pode ser fatal. É preciso ter discernimento ao abraçar oportunidades e, por mais que possa doer, às vezes precisamos dizer não.
Um grande cliente não é o melhor que pode acontecer para uma pequena empresa, pois a relação já começa desequilibrada. A pequena vai se modelar para suprir as demandas de seu cliente e, provavelmente, vai se desviar do seu modelo de negócios. Do ponto de vista financeiro, a maior parte dos ovos estará no mesmo cesto, gerando dependência e medo de perder a maior fonte de receita.
Crescer junto com seus clientes e fornecedores será uma realização incrível! Trace metas, planeje e cumpra suas projeções, com pé no chão.
Quem não é visto não é lembrado. A comunicação deve acontecer por diversos canais e, o que mais vemos hoje, são as startups investindo todas as fichas no digital enquanto as operações tradicionais ainda apostam no off-line.
Equilíbrio é a chave do sucesso e, para isso, precisamos saber qual o perfil do seu cliente e por onde ele consome informações. Utilizar as ferramentas certas da forma certa ainda é uma dificuldade para alguns empreendedores.
Não espere nada de ninguém. Você precisa contar com a ajuda de outras pessoas, pois sozinho a jornada é muito mais penosa, mas sempre que preciso peça ajuda. Ficar esperando que alguém venha se oferecer para ajudá-lo será frustrante.
O trabalho é árduo, em alguns momentos exaustivo e, enquanto seus amigos se divertem, você pode estar no escritório cuidando dos últimos detalhes de um produto, mas assumir o papel de vítima não é uma opção.
Quando receber ajuda filtre os conselhos. Tenha um mentor. Fortaleça sua rede de relacionamento, faça contatos, conexões e cultive as relações, assim você terá amplitude de conhecimentos e pontos de vista complementares.
Se tem algo que eu aprendi durante a minha jornada empreendedora é cuidar das relações. Com o passar dos anos, as suas ideias, projetos e objetivos mudam, mas seus parceiros estarão lá. Ao longo dos anos fiz conexões incríveis e, saber que empreendedores contam comigo e eu também posso contar com eles, nem que seja para uma troca de ideias durante um café, tem valor inestimável.
E assim desenvolvemos o ecossistema empreendedor. Todos saem ganhando!
Jean Dunkl
@jeandunkl
CEO da CPD Consultoria e da Espacio de Color, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, gestor da Impera e voluntário da Singularity University