Antes de responder essa pergunta é importante falarmos um pouco sobre isso, porque parece simples, mas não é bem assim.
Ser empreendedor não é uma profissão, menos ainda uma situação momentânea. Ninguém conquista o status de empreendedor apenas por ter um negócio, pois o fato de montar ou adquirir uma empresa, não te torna um. É uma característica, que pode ficar latente em alguns momentos da vida, mas que é inerente à personalidade de cada um.
Por ser um termo muito utilizado e, de certa maneira, em alta na última década, vejo muita gente usando de maneira errada, ou até se sentindo pressionado a ser empreendedor. Mas, eu preciso deixar bem claro aqui, que qualquer um de nós pode ser um bom profissional, independentemente de ter ou não a veia empreendedora. E se não a tiver, isso não é motivo de vergonha.
Particularmente, acredito que ser empreendedor é um estado de espírito. É estar sempre com o radar ligado para identificar oportunidades e provocar soluções em cenários diversos, desde simples situações cotidianas até em momentos de crise. Importante dizer também, que é preciso estar disposto a assumir riscos, aprender a ouvir críticas, lidar com frustrações e ser muito, mas muito pressionado por você e pelos outros.
A boa notícia, é que podemos e devemos incentivar que essa característica seja desenvolvida nas pessoas, e é possível que isso seja feito desde cedo. Mais do que possível, é de extrema importância. Em alguns parágrafos, quero mapear o que chamo de Trilha do Empreendedorismo, fomentando o assunto desde o Ensino Médio.
“É de pequeno que se torce o pepino”. As escolas já discutem a inclusão do empreendedorismo em suas grades curriculares, em alguns estados e cidades existem projetos de lei para que isso aconteça. No Estado de São Paulo, por exemplo, através do Projeto de Lei 01-00062/2017, desde 2018 é autorizada a inclusão de conceitos de empreendedorismo na grade curricular da Rede Municipal de Ensino, seja como disciplina ou curso extracurricular. E isso faz com que os alunos saiam da fase escolar com maior consciência empreendedora.
Existem ainda diversas outras frentes de incentivo para que a nossa meninada cresça com um mindset empreendedor. O Sebrae, através do Programa Nacional de Educação Empreendedora, oferece um portfólio com três cursos para estudantes do Ensino Médio: “Formação de Jovens Empreendedores”, “Despertar” e “Crescendo e Empreendendo”.
Como complemento, uma opção de atividade é o Startup Weekend, uma rede global de líderes e empreendedores de alto impacto, que tem a missão de inspirar, educar e capacitar indivíduos, equipes e comunidades. Durante um final de semana, em sua edição “Youth”, incentiva jovens entre 13 e 18 anos a tirar suas ideias do papel, experimentando a jornada do empreendedor de forma prática e muito objetiva. Uma curiosidade, é que eu tive a oportunidade de participar, como voluntário, da organização de três eventos Startup Weekend para o público acima de 18 anos, e a experiência é incrível, até mesmo para os mais maduros.
Já para a fase adulta, o Centro Paula Souza, por meio da Inova CPS, criou em 2015 a Escola de Inovadores, com o objetivo de fomentar o empreendedorismo, não apenas para seus ex-alunos dos cursos técnicos, mas também para quem tem vontade de tirar uma ideia do papel. Mais uma oportunidade que o ecossistema me proporcionou: acompanhar duas edições realizadas em Franca. E o que mais me chamou a atenção foi a diversidade de idade e currículo dos participantes.
Por melhor que sejam, passar por todos estes programas não garante que alguém seja empreendedor, e nem que vá obter sucesso em todas as suas empreitadas. Aliás, é preciso entender que errar faz parte da jornada e o desenvolvimento nunca para, aprender é uma constante.
Muitas vezes, durante as minhas palestras, me perguntam se para ser empreendedor é preciso que se tenha uma empresa, essa é uma dúvida recorrente. Minha resposta é não! Você pode ser um empreendedor promovendo soluções onde você estiver, seja no seu bairro, com um grupo de amigos, em uma comunidade, em uma empresa como colaborador, em sua própria empresa ou andando pelo mundo… o mais importante é fazer a diferença na vida das pessoas, por onde você passa.
Para não perder o costume, deixo alguns pitacos para quem se interessar.
Erre rápido e aprenda com o erro: se planejou, mediu o risco, mete a cara. Errou? Faça os devidos ajustes e vamos novamente. É importante saber a hora de parar, a persistência é diferente da teimosia.
A melhor ideia do mundo em uma gaveta não vale nada: compartilhe e busque ajuda para transformar sua ideia em ação, antes que alguém o faça. Já foi o tempo em que se guardava um projeto às sete chaves, hoje a cocriação e o colaborativismo falam mais alto.
Você não sabe de tudo: busque uma equipe multidisciplinar, traga pessoas com visões divergentes, que sejam capazes de mostrar os contrapontos. A soma de competências e das vivências vai acelerar o desenvolvimento de seu projeto.
Jean Dunkl
@jeandunkl
CEO da CPD Consultoria e da Espacio de Color, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, gestor da Impera e voluntário da Singularity University