Se você trabalha com investimentos ou se interessa pelo tema, provavelmente já se deparou com o termo ESG. Mas você sabe de onde vem e o que ele quer dizer?
A popularização do termo acontece à medida em que investidores passam a avaliar as empresas, não apenas por seu potencial, mas também por sua essência, cultura e ações junto ao mercado.
Entre as décadas de 1970 e 1980, os Fundos de Investimento entenderam a necessidade de avaliar indicadores sociais das empresas no processo de decisão de seus investimentos. Daí o surgimento do termo Socially Responsible Investing (SRI ou, em português, Investimento Sustentável Responsável). Uma curiosidade: o primeiro fundo de investimentos responsável do mundo foi criado em 1971, o Pax Sustainable Allocation Fund Investor Class, e sua primeira diretriz era não investir em empresas que financiaram a Guerra do Vietnã.
Com o passar do tempo, a mudança de foco aconteceu de acordo com os momentos do mercado, hora evitando investimentos em empresas responsáveis por desastres ambientais, depois nas indústrias de armas de fogo, cigarro e álcool, trabalho infantil e assim por diante.
De lá para cá, diversos índices de sustentabilidade foram surgindo, inclusive o Dow Jones Sustainability Index, em 1999, com o objetivo de avaliar a performance de empresas conforme alguns critérios de sustentabilidade social, algo próximo do que chamamos hoje de ESG.
O termo ESG foi utilizado pela primeira vez no relatório “Who Cares Wins” (em português, “ganha quem se importa”), de 2005, iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas), englobando diretrizes que envolviam meio ambiente, desenvolvimento e responsabilidade social e governança corporativa. Desde então, vem sendo utilizado – não apenas para subsidiar as tomadas de decisão dos investidores – mas, também, como ferramenta de desenvolvimento para as empresas que pensam em um dia captar investimentos.
Mas o que, enfim, significa essa sigla?
ESG é o acrônimo de Environmental, Social and Governance (em português, sua tradução é algo próximo de Ambiental, Social e Governança) e representa o quanto existe na cultura da empresa a preocupação com a adoção de boas práticas nessas áreas. Reforço aqui, que esta preocupação deve ser genuína e, não apenas, um documento ou um quadro descolado para se expor no hall de entrada.
A empresa deve estar atenta aos impactos que suas ações produzem em relação à conservação do meio ambiente, nas relações com as pessoas (não apenas de seus colaboradores, mas da comunidade em que está inserida) e à sua gestão, garantindo uma administração ética e transparente.
Assim como as práticas de governança, esse tema vem se destacando em função da necessidade das empresas de garantir que suas relações com o mercado sejam seguras, evitando assim os envolvimentos em escândalos de toda e qualquer ordem, e principalmente que seus valores sejam respeitados.
O tema é atual e vem despertando os olhares das novas gerações, sobretudo os empreendedores da geração Z e os mais adeptos à tecnologia. A plataforma de inovação aberta Distrito revela em seu estudo, o “ESG Tech Report”, que desde 2011 startups brasileiras que oferecem soluções de boas práticas em linha com as diretrizes ESG receberam cerca de US$ 1 bilhão.
O relatório revela ainda, que 70% desse valor foi destinado para as soluções com foco no social, 21% em soluções com foco em governança e 8% nas soluções voltadas às causas ambientais, ou seja, fica explícito o potencial de desenvolvimento neste cenário. Muitas empresas vêm buscando startups na modalidade de Inovação Aberta para se adequarem à essa realidade.
Jean Dunkl
@jeandunkl
CEO da CPD Consultoria, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, gestor da Impera (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Franca) e da produtora Espacio de Color, voluntário da Singularity University