Tecnologia e inovação são temas recorrentes em meus artigos, primeiro por serem parte do foco da minha atuação profissional, mas também, em função da própria evolução do mercado e da transformação digital. Já falamos em outros textos sobre a inovação, sua importância, conceitos de inovação disruptiva e incremental, bem como, respectivos exemplos e seus cases. Seguindo esta vertente, escolhi para a nossa conversa de hoje o tema Inovação Aberta ou, como muitos dizem, Open Innovation (em inglês).
O termo foi criado por Henry Chesbrough, pesquisador da Harvard Business School, e seu conceito é bastante simples. O eixo central é a colaboração que, de maneira horizontal, envolve não apenas os colaboradores internos da empresa, mas diversos outros personagens externos, como clientes, fornecedores, entidades de apoio, órgãos públicos e até outras empresas, sejam tradicionais ou startups.
Como muitos empreendedores ainda acreditam que devem guardar segredo sobre seus projetos, abrir a discussão envolvendo terceiros e descentralizar o pensamento pode ser, além de desconfortável, um fator impeditivo para a implantação do processo de Inovação Aberta em uma empresa. O que podemos falar sobre isso é que, por melhor que seja uma ideia, na gaveta ela não vale nada. Além disso, certamente em algum lugar do mundo alguém está pensando em uma solução para resolver o mesmo problema. Uma das maiores diferenças entre sucesso e fracasso está na capacidade de transformar a ideia em produto, e rápido.
O primeiro benefício gerado ao implantar a metodologia da Inovação Aberta é a mudança do pensamento estratégico da empresa. A partir daí, as ideias e sugestões são aceitas e pensadas com maior naturalidade, passam a fazer parte do processo e o ambiente torna-se propício à inovação. Apenas este benefício serviria para justificar esse passo em qualquer empresa, porém, posso elencar alguns outros tão importantes quanto: redução do investimento em pesquisa e desenvolvimento, redução do risco do projeto, ideias externas ao negócio isentas de vícios e preconceitos, incentivo à colaboração, aumento do retorno sobre investimento (ROI), maior percepção de valor para a marca e engajamento social.
A empresa tem o direito de utilizar a inovação desenvolvida no processo, mas todos os envolvidos podem aprender e trocar conhecimento, ou seja, o valor da inovação vai além do financeiro.
Existem basicamente três estratégias mais utilizadas de Inovação Aberta.
A inovação incremental, em que as melhorias em produtos e processos ocorre através da conexão com startups, como, por exemplo, contratar soluções e ferramentas de metodologia ágil para otimizar os processos de tomada de decisão em uma operação. Para este modelo é importante, antes de qualquer coisa, mapear quais são os principais gargalos da empresa e qual o impacto gerado por cada um deles. Feito isso, é hora de decidir entre a contratação de uma startup com a solução pronta – ou ao menos em estágio avançado -, ou abrir um programa para desenvolver uma startup que trabalhe a solução a partir de suas necessidades. Vale lembrar que a mesma solução pode ser oferecida para outras empresas com as mesmas dores que a sua.
Outro caminho é o da inovação disruptiva. Como diz o nome, esta estratégia tem como premissa romper com o padrão existente e partir para uma nova forma de desenvolver as atividades. É o conceito de Spin-Off, uma nova empresa criada a partir de outra já existente e, neste caso, pode se tornar interessante, pois permite que novos modelos de negócios, outros públicos, nicho de mercado e diferentes fontes de receita sejam testados e validados, sem afetar diretamente o modelo e as fontes originais, sobretudo se for um modelo inovador e escalável.
O terceiro caminho mais praticado é incorporar a inovação, que ocorre através de Joint Venture ou Aquisição de Startups. Comprar ou se associar a uma startup que atua no mesmo segmento da sua empresa pode ser um atalho, no que diz respeito ao tempo de desenvolvimento de soluções.
O primeiro passo para colocar em prática é criar uma plataforma de cocriação, com o objetivo de captar as ideias dos envolvidos. Todo e qualquer insight pode ser relevante neste momento. Na dúvida, priorize as informações vindas de clientes e fornecedores, que de alguma maneira já conhecem e têm experiência com sua marca, seus processos e entregas.
Um comportamento importante é ficar atento ao mercado, observando principalmente as empresas e startups que atuam em seu nicho de mercado. Daí podem surgir grandes oportunidades de aquisição de startups com potencial para agregar em sua cadeia.
A prática de participar e promover eventos de tecnologia provoca uma atualização constante. Então, sempre que puder, participe ou promova palestras, hackathons (maratonas de programação), bootcamps (treinamentos intensivos) e eventos que engajem essa tribo mais adepta da tecnologia e inovação. Em Franca (SP), por exemplo, eventos como Open Coffee, Startup Weekend e hackathons diversos atuam como catalisadores no ecossistema empreendedor da região, inclusive criando demanda para a implantação da Impera, uma incubadora de empresas de base tecnológica.
A Inovação Aberta é mais um passo importante para o futuro do ecossistema. Mais do que um conceito inovador é uma prática que abre caminhos e rompe barreiras impostas pelos modelos de negócios tradicionais.
Jean Dunkl
@jeandunkl
CEO da CPD Consultoria, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, gestor da Impera (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Franca) e da produtora Espacio de Color, voluntário da Singularity University