Todos sabemos que a expansão das empresas para os canais digitais foi exponencial durante os últimos meses. Também entendemos que este movimento está muito longe de se acomodar ou de retroagir e a presença digital é uma realidade.
Isso não ocorreu apenas entre as pequenas e médias empresas. O grupo BIG, que inaugurou uma unidade há poucos meses em Franca, anunciou o lançamento do e-commerce de suas operações BIG, BIG Bompreço e Sam’s Club e irá operar no modelo Ship From Store, utilizando a loja física como centro de distribuição dos produtos, além do frete grátis para compras acima dos R$ 30.
Mas será que todas as estratégias de expansão estão voltadas apenas ao digital?
Recentemente, o volume de fusões e aquisições aumentou significativamente, como estratégia de sobrevivência ou até de aceleração do crescimento, frente às oportunidades geradas pela pandemia, a exemplo dos setores de agronegócio, farmacêutico e tecnologia. A associação entre empresas cresceu 14% entre 2019 e 2020. Segundo o relatório de M&A 2020, da consultoria PWC Brasil, foram 1038 transações, das quais 65% aconteceram na região Sudeste e 38% delas solicitadas por empresas de tecnologia.
Uma das operações de destaque foi a aquisição da Bling pela Locaweb por R$ 524 milhões. A Bling é um sistema de gestão através de ERP (Enterprise Resource Planning), que permite integração de dados, entre outras funcionalidades de gestão, e opera com o modelo SaaS (Software as a Service). Traduzindo: um software como serviço, disponibilizado pela internet e em nuvem, sem necessidade de instalação física, manutenção ou atualizações. Com forte presença no e-commerce, sua carteira cresceu cerca de 60% no último ano.
A Locaweb, mais conhecida por seus serviços de hospedagem, vem se movimentando fortemente nas aquisições. Nos últimos 12 meses foram 17 operações arrematadas, entre elas a Pagcerto, uma startup de meios de pagamentos, ampliando as soluções oferecidas.
Outra movimentação interessante envolve tecnologia aplicada aos pontos físicos. Ao contrário do que muitos acreditam, o varejo físico ainda é relevante. Prova disso é o Amazon Salon, um salão de beleza inaugurado em Londres, que tem como principal missão testar soluções que garantam a melhor experiência dos usuários.
Através da tecnologia de Realidade Aumentada (RA), os clientes podem experimentar e visualizar o resultado dos procedimentos (como cortes e cores de cabelo) antes mesmo de realizá-los, ou ainda, assistir em um monitor as principais características e informações sobre um produto escolhido nas prateleiras.
Neste cenário, há também empresas consolidadas por sua presença digital apostando na expansão de suas operações no mercado off-line. É o caso da MadeiraMadeira, que entre março e dezembro de 2020 inaugurou nada menos que nove lojas físicas, e, neste ano, continua a todo vapor. Em Franca, a loja já está em funcionamento. Especializada na venda de móveis de madeira, a empresa relativamente nova (fundada em 2010) decidiu partir para um novo canal de entrega.
Apesar de físicas, as lojas da marca não têm nada de tradicional. Operam no modelo de negócios de Guide Shops, onde o cliente pode viver a experiência com os produtos do catálogo da marca, em diversos ambientes distribuídos pela loja. Caso o cliente decida comprar algum produto, ele até pode fazer a compra na própria loja, mas pelos canais on-line, para receber o produto em casa. Neste modelo de negócio, as lojas não têm estoque.
Mesmo que a presença digital seja importante, ela não é a única maneira de desenvolver uma empresa. O modelo de expansão depende muito das expectativas e da realidade de cada operação.
Essas movimentações nos mostram o óbvio: nenhuma verdade é absoluta e, seja qual for o caminho, a tecnologia e inovação te ajudam a chegar mais rápido.
Jean Dunkl
@jeandunkl
CEO da CPD Consultoria, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, gestor da Impera (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Franca) e do MKBZ Studio, voluntário da Singularity University