Em tempo de coronavírus, as pesquisas científicas, em suas diversas áreas de saber e de atuação, não podem ser interrompidas. Com esse espírito, a Universidade de Franca, por meio do Programa de Pós-graduação em Linguística, em parceria com os grupos de pesquisa: Estudos Retóricos e Argumentativos (ERA – da PUC-SP) e Pesquisa em Argumentação e Retórica (PARE – da Unifran), realizou, no dia 29/04, às 12h, pela plataforma Collaborate, a Jornada de Retórica 2020. No evento, a Dra. Maria Alejandra Vitale, pesquisadora da Universidad de Buenos Aires e Presidente da Asociácion Argentina de Retórica (AAR), proferiu palestra sobre o tema Memória retórico-argumental y pathos. Participaram do evento on line cerca de 150 pessoas, que ouviram a palestrante falar sobre argumento de direção, memória retórico-argumental, metáfora biológico-médica, paixões, memória, retórica e argumentação, além de análises de textos midiáticos envolvendo a Argentina e o Brasil. O evento demonstrou o quanto a universidade está preparada para fornecer, aos discentes e pesquisadores do Brasil e do mundo, o ensino de excelência que possui e demonstrar que as pesquisas realizadas na instituição não foram interrompidas. As pesquisas, no campo da linguagem, do texto e do discurso, continuam, e com mais intensidade, pois passaram a ser publicadas em tempo real e sem a demora inerente aos meios físicos. Os pesquisadores, cientes da importância de suas pesquisas e dos impactos sociais que elas produzem, não medem esforços para dar continuidade aos seus estudos e intensificar a divulgação dos resultados de pesquisa obtidos nesse momento de pandemia. Acredito que um país somente se torna independente quando tem pesquisadores comprometidos com a ciência e instituições de ensino focadas na excelência, no compartilhamento de ensino e aprendizagem e na troca de experiências e experimentos. Não tenho dúvidas de que o processo de emancipação de um povo, de um país, passa, necessariamente pelo domínio da sua própria língua, no nosso caso a Língua Portuguesa, que por sinal, pouco investimento tem recebido. Dominar a própria língua, valorizá-la e reconhecer a sua importância é questão também de política pública. Convido você leitor a refletir sobre isso e, se concordar comigo, começar a valorizar a nossa língua, estudar mais e utilizá-la com propriedade, pois todas as mudanças no mundo começam pela fala, pelo discurso oral ou escrito. Língua, Linguagem e fala são palavras cujos significados precisam ser potencializados e compreendidos com profundidade.
Acir de Matos Gomes
Advogado e vice-presidente da subseção da OAB-Franca