Talvez você me aponte facilmente alguns nomes, mas pare um pouco para pensar em você: como pensa e como age no seu dia a dia e em suas relações.
É comum rotularmos as pessoas pela sua forma de agir, mas precisamos lembrar que nós somos a soma de nossas atitudes, crenças e ações e, quando falamos especificamente em crenças, alguns pontos importantes podem ser destacados.
Sabemos também que as empresas são formadas por pessoas e, como não poderia ser diferente, no mundo corporativo temos muitas crenças pairando no ar, ou porque não dizer, poluindo o ar.
Durante aproximadamente oito anos morei no estado de Minas Gerais. Passei por algumas cidades e tive a oportunidade de liderar equipes comerciais em um segmento altamente competitivo: o da telefonia. Durante este período conheci profissionais incríveis e muito competentes, mas culturalmente usavam uma expressão que me incomodava absurdamente: “dou conta não”. Claro que não é apenas lá que isso acontece, mas o termo ficou marcado em minha memória.
Ora, se alguém determina de imediato que é incapaz de fazer algo, esta se torna sua realidade. As startups, em sua maioria, são criadas a partir de um problema a ser resolvido, então fico imaginando se elas agissem desta forma, quantas oportunidades teriam passado.
Se você, alguma vez já se pegou pensando que não consegue fazer algo, pare e cuide disso. Albert Einstein disse: “algo só é impossível até que alguém vá lá e prove o contrário”. Existe uma citação próxima disso, atribuída a Nelson Mandela: “tudo parece impossível até que seja feito”. E, particularmente, gosto muito dessa linha de pensamento, sou do time dos que fazem acontecer.
Uma vez me contaram a seguinte história:
“Duas crianças estavam patinando durante toda a manhã em um lago congelado quando, de repente, o gelo se rompeu e um deles caiu na água.
A corrente interna o deslocou alguns metros abaixo da parte congelada, então, para salvá-lo, a única opção era quebrar a camada que o cobria.
Seu amigo começou a gritar por ajuda, mas ao ver que ninguém vinha, rapidamente procurou uma pedra e começou a bater no gelo com toda a sua força.
Bateu, bateu e bateu, até que conseguiu abrir uma fenda através da qual colocou o braço para agarrar seu amigo e salvá-lo. Alguns minutos depois, informados pelos vizinhos que ouviram os pedidos de ajuda, os bombeiros chegaram. Quando contaram o que havia acontecido, não conseguiam parar de pensar em como aquele menino tão pequeno conseguiu quebrar uma camada tão espessa de gelo.
– É impossível que com essas mãos ele tenha conseguido isso, é impossível, ele não tem força suficiente, como pode ter conseguido? – comentaram entre si.
Um senhor que estava por perto, ao ouvir a conversa, aproximou-se dos bombeiros.
– Eu sei como ele fez isso – disse.
– Como? – perguntaram surpresos.
– Não havia ninguém ao redor para dizer ao menino que ele não ia conseguir.”
Empreender pode parecer assustador para muitos, dar o primeiro passo não é tarefa fácil e, para isso, é preciso saber driblar o medo. Mente quem diz que não sente medo, inclusive com o tempo esse frio na barriga se torna viciante. A cada passo dado, a cada etapa vencida, subimos um nível de dificuldade e o medo sempre nos acompanha, superá-lo é parte da nossa jornada.
Sempre digo aos empreendedores que somos protagonistas das nossas histórias. Estamos onde estamos, única e exclusivamente por resultados das nossas ações e, por isso, temos a obrigação de fazer acontecer.
O sucesso é resultado de muito trabalho, árduo e exaustivo, ouvimos muito “não”. Claro que, diante das adversidades, podemos nos encontrar em momentos de baixa energia, às vezes desmotivados, apáticos e isso é natural, o que não é natural é permanecer neste estado. Cada um tem seu tempo para digerir certas situações, mas o mercado não vai ficar esperando que você se sinta melhor, portanto, tenha as suas cartas na manga para passar rapidamente por esses períodos.
Uma prática energizante é tirar pequenas férias durante o ano. Eu tenho o hábito de fazer quatro pausas e, cada uma, de uma semana. Esta prática me faz desligar e recarregar as energias, além disso, ter essa programação definida tem um efeito psicológico incrível.
Acreditar no seu próprio taco também ajuda muito, e existe uma linha muito tênue entre a autoconfiança e a arrogância, tome cuidado com isso. Não conheço nenhum empreendedor de sucesso que tenha baixa autoestima, mas conheço muitos outros que se acham melhores em tudo e estão no mesmo lugar há anos, estagnados e espantando talentos que se aproximam.
Para finalizar, quero falar de um comportamento tão ruim quanto o da turma do “dou conta não”: são os empreendedores que sofrem da síndrome do vira-lata, nada dele é ou está bom. Sabe aquele cara que acha a grama do vizinho mais verde, sempre? É dele que estamos falando. Todos à sua volta acreditam nele, confiam em seu trabalho, menos ele. Em contato com empreendedores deste perfil é nítido que não se sentem merecedores do sucesso.
Alguns chamam estes comportamentos de crença limitante, mas eu chamo de autossabotagem mesmo e você pode chamar do que achar melhor, o que importa de verdade é que se você está ou já se viu em alguma dessas situações a melhor saída é se movimentar. Busque ajuda se necessário, o importante é se mexer!
Jean Dunkl
@jeandunkl
CEO da CPD Consultoria e da Espacio de Color, mentor em Gestão Estratégica de Negócios, gestor da Impera e voluntário da Singularity University