O golpe do falso advogado ganhou uma nova ferramenta para enganar vítimas. Criminosos passaram a utilizar a técnica conhecida como spoofing de chamadas, que permite falsificar o número de telefone exibido durante uma ligação. Com isso, o contato pode aparecer na tela do celular como se fosse feito pelo próprio advogado responsável pelo processo, inclusive com o nome salvo na agenda do cliente.
A abordagem costuma começar com informações reais sobre a vítima ou sobre um processo judicial. Esses dados podem ser obtidos pelo acesso direto ao processo, de onde os criminosos extraem informações como o número de telefone da parte, a vara em que a ação tramita e a natureza do processo. Com esses dados em mãos, e utilizando ferramentas que simulam números de telefone, os criminosos entram em contato com a vítima e criam uma situação de urgência.
Durante a ligação, o golpista pode alegar a necessidade de um pagamento para liberar valores, agilizar procedimentos ou evitar supostos prejuízos no processo. A vítima, ao visualizar o número e o nome do advogado na tela, pode acreditar que está falando com seu representante legal e realizar transferências ou fornecer informações pessoais.
A presidente da OAB Franca, Luiza Gôuvea, alerta que a nova forma de abordagem exige atenção de clientes e advogados. “Identificamos esse novo golpe e Franca e outras subseções estão em alerta. Estamos organizando uma divulgação ampla sobre os diferentes tipos de golpes para alertar a comunidade e os advogados. O golpe do falso advogado está cada vez mais sofisticado e, por isso, é importante que qualquer pedido de pagamento seja confirmado por outro canal oficial antes de qualquer transferência”, afirma.
O spoofing não significa que a linha telefônica do advogado tenha sido clonada. A técnica consiste na falsificação das informações de identificação da chamada, fazendo com que o número real apareça no celular da pessoa que recebe a ligação.
A orientação é desconfiar de pedidos urgentes de pagamento feitos por telefone, WhatsApp ou outros aplicativos de mensagens, mesmo quando o contato parece partir do advogado ou do escritório responsável pelo processo. Antes de realizar qualquer transferência, o cliente deve interromper a negociação e confirmar a informação por outro canal oficial já conhecido.
Também não se deve fornecer dados pessoais, bancários, códigos de verificação ou senhas durante ligações e mensagens. Em caso de dúvida, a orientação é procurar diretamente o advogado responsável pelo processo ou o escritório por um contato previamente confirmado.
A OAB Franca disponibiliza orientações sobre como agir diante de fraudes na cartilha “Orientações sobre fraudes e golpes contra a advocacia e seus clientes”, disponível no site da subseção, na aba de serviços. O material reúne informações sobre o golpe do falso advogado e outras modalidades de fraude que podem atingir profissionais da advocacia e seus clientes.