Por Pedro Maia
Editor-chefe
É chegada a hora de uma das mais bonitas e tradicionais festas cristãs, que remonta ao período da Idade Média: a festa de Corpus Christi (Corpo de Cristo, do latim)! Celebrada majoritariamente pelos católicos, estes realizam, em toda quinta-feira após a Oitava de Pentecostes, mais precisamente, depois do Domingo da Santíssima Trindade, um momento de profunda devoção ao participarem das Missas e atividades dedicadas ao dia.
As ruas, entorno de praças ou mesmo das paróquias são enfeitadas com lindos tapetes, que retratam a fé de um povo em seu salvador e a ele pedem que lhes abençoe: são montados desenhos com imagens de santos, orações e outros simbolismos religiosos, utilizando-se de materiais como borra de café, areia, sal, flores e até mesmo com doações de roupas e alimentos – que mais tarde são destinadas a entidades beneficentes ou pessoas carentes.
Como diria o teólogo e doutor em Teologia e professor no Curso de Teologia da Faculdade Canção Nova, Lino Rampazzo, “a festa de Corpus Christi é um convite para uma meditação sobre o valor e a importância da Eucaristia em nossa vida”. De acordo com Lino, a origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. Foi instituída pelo Papa Urbano IV (1262-1264) através da bula “Transiturus”, de 11 de agosto de 1264. Urbano IV, antes de ser escolhido Papa, era cônego de Liège (Bélgica) e se chamava Tiago Pantaleão de Troyes. Ele tinha recebido o segredo das visões da Freira Juliana de Liège, que pedia uma festa da Eucaristia no calendário litúrgico.
Milagre de Bolsena
“Conta a história que, sucessivamente, um sacerdote chamado Pedro de Praga, muito piedoso e zeloso pastoralmente, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença real de Cristo no pão consagrado. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o dom da fé. Ao passar por Bolsena (Itália), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido pela dúvida. Na hora da consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a sagrada hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal (paninho branco no qual são colocadas as sagradas espécies consagradas), o sanguíneo (paninho de limpar o cálice) e a toalha do altar”, relata Lino.
Por solicitação de Urbano IV, os objetos milagrosos foram, em solene procissão, para a cidade de Orvieto, onde na época o Papa morava.
Conforme explica Rampazzo, São Tomás de Aquino foi responsável pela composição dos textos da liturgia de Corpus Christi, a pedido do Papa Urbano IV. Para a celebração, ele compôs também o hino “Pange lingua”, o qual inspira o canto da Bênção do Santíssimo cantada no Brasil. A parte final deste hino é o Tantum ergo sacramentum, em português “Tão sublime sacramento”.
“A Eucaristia é um dos sete Sacramentos e foi instituída na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu Corpo… Este é o cálice do meu Sangue… fazei isto em memória de mim’ (Mt 26,26). Assim, vemos que quem pediu que nós ao longo dos tempos e da história celebrássemos a Eucaristia foi o próprio Cristo. E a Igreja Católica cumpre este mandato até hoje, para perpetuar a presença salvadora de Jesus na história”, ensina o teólogo.
Santo Tomás de Aquino afirmou: “Nenhum outro sacramento é mais salutar do que a Eucaristia. Pois, nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais. A Eucaristia é o memorial perene da paixão de Cristo, o cumprimento perfeito das figuras da antiga aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou”.
“Com fé, esperança e amor acolhamos a palavra de Jesus: ‘Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente’ (João 6,51)”, conclui Lino Rampazzo.