No ano passado, quando se observou o início de 2024, as estimativas eram de que o mercado imobiliário não cresceria significativamente. No entanto, hoje, olhando para os 12 meses que passaram, percebe-se que houve, em certa medida, uma recuperação parcial da renda das famílias, as taxas de financiamento também diminuíram um pouco, entre outras variáveis que afetam diretamente o mercado imobiliário.
Todavia, quando se observa o cenário em sua totalidade, as análises mais recentes apontam que o mercado imobiliário em 2025 pode enfrentar alguns obstáculos, especialmente devido à manutenção dos juros, que atualmente encontram-se em um patamar elevado, bem como à recuperação lenta da renda das famílias e à restrição ao crédito.
Em razão disso, as expectativas para este ano não são tão positivas, mas isso não significa que não haverá crescimento. Em tese, o crescimento deve ser menor em relação aos anos anteriores, mas 2025 ainda pode apresentar números relativamente expressivos no que tange às vendas e à valorização dos imóveis, mesmo com o aumento dos juros.
De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), no ano passado, o número de vendas de imóveis novos subiu 21,5%.
No mercado voltado às construções de médio e alto padrão, o crescimento foi de 3,8%. O governo federal também criou medidas pontuais para movimentar o setor, como programas habitacionais e ajustes regulatórios. Nesse sentido, o Minha Casa, Minha Vida experimentou um salto de 26,1%. Todavia, embora existam tais iniciativas, o cenário macroeconômico influencia demais na dinâmica do mercado.
Para 2025, o mercado projeta que a Selic ultrapasse os 15% até o final do ano. Desse modo, por conta da taxa, será necessário pensar em novas estratégias e abordagens tanto da parte de consumidores quanto de incorporadoras.
Embora existam questões macroeconômicas que afetam a dinâmica de mercado, os imóveis de alto padrão aparecem no centro das projeções para 2025 em relação ao setor em termos de crescimento. Em janeiro, conforme o Grupo OLX, as buscas por casas acima de R$ 1,5 milhão cresceram 19,3%. Todavia, na contramão desse movimento, a procura por casas de até R$ 350 mil caiu 10,3%.
Considerando o atual cenário, muitos estão de olho em opções mais acessíveis, como aquelas em bairros em desenvolvimento. Nesse sentido, embora a expectativa não seja tão promissora, a procura por casa à venda continua, especialmente em regiões com alguma perspectiva de valorização futura.
No fim, o setor imobiliário está ligado a uma série de fatores, tanto na escala internacional quanto nacional, atrelados à dinâmica das moedas, oferta e procura, além de processos que influenciam diretamente o sistema de juros ditado pelo Banco Central.
Em síntese, 2025 é um ano que, conforme as estimativas, deve apresentar um crescimento relativo. Isso porque as oportunidades de compra teoricamente existem, mas estão restritas às dinâmicas econômicas. Comprar um imóvel hoje exige, portanto, além de planejamento financeiro, uma boa leitura das condições macroeconômicas e da realidade local do mercado.