A base maior da economia de Franca ainda é e continuará sendo o calçado, o que já é preocupante por fatores adversos e políticas de confronto criadas por outros estados onde a indústria manufatureira desperta interesse pelos muitos empregos diretos e indiretos, ainda que sejam núcleos sem tradição como a centenária história francana no setor.
Essa conhecida ‘guerra fiscal’ é feita sob o olhar complacente do governo federal e pouco ânimo para o enfrentamento entre o estado-vítima e o ‘corruptor’ que alicia a mudança de local com vantagens tentadoras.
A situação não se resolveu ao longo dos últimos anos ou década de estagnação, vividos nas gestões petistas desde 2008, muito menos foi enfrentada com coragem e determinação pelos governadores ‘tucanos’ que antecederam o atual gestor, Tarcísio de Freitas, que demonstra interesse e boa vontade, mas esbarra na morosa solução de revisão tributária e benefícios legais.
Os empresários nem sempre querem saber de entraves políticos quando o assunto envolve o investimento feito na montagem de indústrias, equipamentos, treinamento e qualificação da mão de obra, além do abastecimento com fornecedores próximos e a qualidade desejada na finalização para vender no mercado interno ou em exportações. Quanto menos óbice trabalhista e tributário melhor é escolher a base do negócio em outra região, mesmo que seja pouco desenvolvida nessa especialidade.
Repercutindo a recente análise aqui, que obteve inúmeros aplausos concordando e ampliando os dados, recebemos mais luzes e detalhes de quem realmente convive com essa questão, como pondera em detalhes mais pormenorizados de sua vivência. “As empresas paulistas no maior mercado (São Paulo com 40% do PIB brasileiro) são taxadas com 18% de ICMS, enquanto o Rio Grande do Sul e Minas 3% e o Nordeste 2% e 1%. Como competir com uma diferença de 15, 16 e 17% na planilha de custos?” E conclui: “além disso, a mão de obra em Franca é 20% mais cara que em Minas Gerais e no Nordeste. Então os grandes vão embora e os pequenos ou vão pra informalidade ou fecham”.
Quanto ao programa Exporta SP o empresário concorda que é ‘piada’ um curso dado por burocratas que nada entendem de mercado
internacional. Conquistar clientes na América Latina e Central precisa ter uma coleção ótima para o Brasil e com ela conquistar esses mercados. EUA e Europa compram na China (produz 10 bilhões de pares/ano, Brasil produz 800 milhões/ano, onde se incluem 200 milhões de sandálias tipo ‘havaianas’). Quem tem 800 milhões de ’escravos’ como a China fica impossível competir, quando se vende marca, estilo, qualidade e conforto e capacidade de distribuição (que custam caro e pequenas empresas não conseguem, porque não têm escala de produção para diluir esses custos).