Um clube não é só o jogador chamado de craque, nem é a arrecadação do final da temporada, não é ter sido campeão ou ter sido rebaixado, tampouco é o número de torcedores que ele tem ou deixou de ter. Um clube é símbolo e patrimônio de todos os valores que representa. Que são inegociáveis. Sequer levantam taças e nunca se gabam de serem os mais ou menos populares, porque tem a alma de sua origem, princípios, meios e fins.
É quase assim um vídeo de dois minutos onde fala de futebol por menos de dez segundos, e nos lembra dos motivos pelos quais amamos tanto esse jogo secular e até uma determinada camisa, uniforme e simbólica. O futebol é um infinito campo de circulação de afetos. É uma pena que escolhemos limitá-lo a inimizades toscas, a ódios gratuitos e a valores tão miúdos, avaliada com olhar desses tempos cibernéticos…
O Estádio Coronel Nhô Chico foi construído com o nome original de “Bela Vista”, por onde desfilaram milhares e milhares de personagens, da torcida aguerrida e valente aos atletas, técnicos e colaboradores, funcionários e dirigentes que marcaram suas vidas em momentos de alegria, lágrimas, emoções, sentimentos transformadores de sonhos de suas vidas e esforços heroicos para
honrar a paixão imortal dos francanos de verdade.
Entre milhares de almas verde-branco pontuaram Angelo Tornatore, Cecim Miguel , José Martiniano de Oliveira, Newton Maniglia,
Elso Leite, Thomazinho Licursi, Riad Salloum, Otto Sandoval, Ruy Pieri, José Chagas ECA, Corrêa Neves, Fabinho Meirelles, José Olivieri, Tonho e Luizinho Rosa, Jairzinho, Chico Brasilino, Mário Del Bianco, Geraldo Braga, Dimas e Edson Nery, Gilson de Souza, Chico Mariano, Zé Augusto, Doce, Pacau, Beguinho, Zezinho, Mestre Botelho, Zé Marcos, Zé Mauro, Dudizio, Garito, Chorette, Laerte, Dico, Zezé, Baianinho, Milton Raymundini, Walter Costa, José Cyrino Goulart, Lauvian Gonçalves… E inúmeros heróis eternos.
Rubens Minelli, Daltro Menezes , Venção , Demétrio Soares , Nury Abrão, Chico Brasilino, Nenzinho Cunha, Michel Abrão, Dr. Lancha, David Ewbank, Ivon Pereira, Marreco, Hugo Ravagnani, Dr. Baldijão Seixas, William Salomão, Álvaro Azzuz, William Cury, Hélio Papacidero, Fauze Mussalem, José Bartocci “Tutti”, Chico Queiróz, Francisco Damasceno, João Costa, Sebastião do Tênis, Cirilo Rosa, José Vinicius Seixas Costa, Sudário Ferreira, Dr. Cirilo Barcelos, Dr. Jamil, Zé Moleque, Dr. Chico Rocha e tantos outros heróis do passado. Nomes guardados na história imortal da gloriosa “Veterana”, Associação Atlética FRANCANA!
Vários projetos, inúmeras sugestões, sem jamais ser pensado que um dia o esforço e a dedicação de milhares de apaixonados francanos genuínos ou vindos de outras plagas, veriam o Velho Nhô Chico se desmanchar, retalhado em pedaços para abrir espaço a barraquinhas e estacionamento de uso coletivo, desfigurando e sepultando ali, bem ao lado do Cemitério pioneiro e da Saudade, tudo o que a alegria marcou época em mais de 113 anos de futebol!
Um grupo de quinze vereadores passageiros, quase totalidade forasteiros de pouca ou nenhuma ação de respeito à tradição de uma cidade bicentenária, acata proposta descabida, irreal e desnecessária, abona a troca do patrimônio por impostos atrasados e desmancha toda a memória para nunca mais ser lembrada.
É uma atitude inadmissível, inaceitável, descabida e assassina de sonhos e memoráveis feitos esportivos. De resto, apenas alguns poucos conselheiros impedem que o tiro mortal seja dado ao velho Estádio Cel. Nhô Chico, entregando-o à criminosa falência eterna.