Mais comum entre as mulheres e em todo o mundo, o câncer de mama “é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos”, conforme define o Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Ministério da Saúde. Embora seja uma doença que acomete também a homens, os casos são mais raros. Felizmente, sessões de quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e propriamente, uma cirurgia, podem colaborar na cura desse mal.
Bruniéli de Oliveira Matias da Silva, conhecida também como Bruna ou Bruny, tem 34 anos, é casada há 16 e tem duas filhas, de 15 e 3 anos de idade, respectivamente. É formada em Auxiliar e Técnica em Enfermagem pelo ETEC CPS; Socorrista sendo credenciada pelo Emergência Fire (RP), e cuidadora de idosos formada também pelo ETEC CPS de Batatais.
Bruny descobriu o câncer de mama em janeiro de 2022, aos 32 anos de idade, na correria, numa rotina frenética lutando contra a COVID-19. De repente, sente uma pedra dura em seu seio. A princípio, não deu muita atenção. Mas, com o passar dos dias, isso a foi incomodando. “Fui tendo rubor, prurido e minha mama estava muito densa e demasiada. Já estava me incomodando muito. Aí sim, resolvi procurar o médico. Ele logo me encaminhou pra ultrassom e logo depois a biópsia. Quando chegou o resultado, meu mundo desmoronou! Eu estava com carcinoma (câncer) da mama. Não foi fácil! Me vi sem chão, mas decidida a enfrentar”, relata Bruny.
A enfermeira tinha duas opções: lutar e tentar vencer esse mal ou ficar de braços cruzados se lamentando pela doença. “Eu resolvi lutar, por mim, pelas minhas filhas, pela minha família e pelos meus amigos”. Por ser da área da saúde, Bruna sabia que não teria uma batalha simples pela frente. “Eu passo muito mal, sinto dores horríveis. Só que passa, sabe? Pois o câncer dói, tanto fisicamente, quanto mentalmente. Junto do meu médico oncologista/mastologista, começamos a batalhar contra esse grande mal chamado câncer”, afirma.

Bruna, antes da descoberta do câncer

Bruna, após a descoberta e início do tratamento
Tratamento
Inicialmente, Bruniéli Oliveira recebeu um protocolo de tratamento que previa seis sessões de quimioterapia branca e 17 de imunoterapia. “Detalhe, eu tive alergia à quimioterapia, porém, com os corticoides corretos, ocorreu tudo bem e eu consegui fazer as sessões durante seis meses”, conta a enfermeira. “Depois que terminei a ‘quimio’, os médicos ficaram quatro meses vendo a melhor forma de colocar próteses, contudo, neste tempo, o meu câncer que já havia regredido, voltou com tudo no seio e nas axilas, sendo detectado um nódulo no pulmão”, conclui.
O médico de Bruna percebeu que a imunoterapia com a medicação indicada não estava surgindo efeito. A socorrista precisou então iniciar um outro protocolo de imunoterapia, esta, de 14 sessões, um pouco mais forte que a primeira. “Eu sinto muitos efeitos colaterais terríveis, além disso, foi logo marcada minha cirurgia, uma mastectomia radical, com esvaziamento total da axila, pois eu estava com metástase nela”, explica.
Sendo realizada a cirurgia, a cuidadora de idosos ainda realizou 25 sessões de radioterapia, fazendo uso também do tamoxifeno, que é uma quimioterapia oral. “Cada etapa é um sofrimento, pois cada fase tem seu peso para se carregar, desde o diagnóstico até o último momento de tratamento. Ainda estou em tratamento, então sofro muito, choro e tenho meus períodos de fraqueza, mas logo eu levanto a cabeça e visto um sorriso!”
Mistura de sentimentos
“Minha experiência com o câncer foi um misto de emoções. Eu estava determinada a vencer, mas o medo também toma conta da gente. [Existe] a insegurança de não saber o amanhã, se vamos morrer, pois foi o que eu pensei que ia acontecer. O câncer te tira muita coisa, a primeira delas, é aquela ilusão de que a gente nunca vai morrer e que vai durar pra sempre. A segunda é a aparência, a gente não se reconhece mais. A terceira, é o serviço. A gente não pode mais trabalhar. Você perde sua liberdade, sua autonomia. E a quarta são as amizades que achamos que temos. Mas os poucos que ficam, são os de verdade!” Enfatiza Bruna.
Mudança de hábitos
Segundo Bruna, desde seu diagnóstico, sua vida deu um “360”. Uma enfermeira super ativa, que amava fazer academia e que tinha um corpo bem “saudável”, se deparava com um câncer aos 32 anos de idade. “Tive que me afastar do trabalho, da academia. Vi meu corpo mudar, pois engordei bastante com o tratamento. Não consegui fazer coisas simples como subir uma escadaria ou pegar minha filha de 3 anos, que ainda é uma bebê”, afirma Bruna, que continua: “Se olhar no espelho e não se reconhecer, ficar careca, sem cílios e sem sobrancelhas, ficar com o rosto irreconhecível e ainda ter que escutar palavras que magoam, de pessoas de fora e principalmente de parentes, sobre a sua aparência, isso tudo dói muito e faz a gente questionar a Deus o porquê de tudo isso. Às vezes, nós só precisamos de um abraço ou de uma palavra amiga”.
“Temos que ter alguns cuidados, que valem para todos. Nada de tabagismo, bebida alcoólica, algumas comidas, atividades físicas devem ser moderadas e com orientação médica. Alimentação [deve ser] bem saudável e bem lavadas, [no caso dos alimentos que precisam lavar]”, elucida Bruna.
Considerações finais
“Eu, como profissional da saúde e paciente oncológica, recomendo que as mulheres façam os exames periodicamente. Vá no seu ginecologista, faça a mamografia. Se você, assim como eu, não tiver idade para a mamografia, peça a ultrassonografia. Não fique parada esperando a doença bater em sua porta. Sejam mais rápidos e se previnam. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais chance de cura”, incentiva Bruny.
Segundo a enfermeira, é necessário reconhecer os sinais que o corpo dá, e nos amar em primeiro lugar. “Temos q se tocar para tocarmos a vida felizes e sem nem uma preocupação, pois a prevenção é o melhor remédio”, brinca a profissional. “Eu agradeço a Deus e a todos que sempre estiveram ao meu lado, pois isso é fundamental para nossa recuperação e nossa cura! Eu tenho o câncer, mas o câncer não me tem, pois enquanto eu respirar, vou continuar lutando”, enfatiza Bruniéli.