Com intensa atividade industrial no setor coureiro-calçadista, Franca deve contar a partir de 2023 com uma usina de reciclagem de resíduos de couro para serem transformados em adubo orgânico. O Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) firmou parceria com a empresa italiana Ilsa, especialista em Gestão Ambiental de Recuperação de Resíduos, para realizar o processo industrial em um imóvel instalado no Distrito Industrial da cidade.
O sindicato ficará responsável pela parte operacional, com a coordenação da coleta, transporte e entrega dos produtos à usina. Segundo José Carlos Brigagão, presidente do Sindifranca, a expectativa é atingir 500 toneladas do material por mês. “Esse é um fato histórico para preservar o meio ambiente. Teremos um trabalho intenso e árduo de sensibilização e conscientização das empresas para aderirem e destinarem os resíduos para a usina. Mas estamos dispostos a fazê-lo porque teremos um calçado ecologicamente correto, o que vai agregar valor ao produto, com repercussão nacional e internacional”, afirmou.
Brigagão destacou outros efeitos positivos da destinação correta das sobras de couro da indústria calçadista e curtumes da cidade, como a redução do passivo ambiental e risco de esgotamento dos aterros sanitários. “Franca tem 100% de água e esgoto tratados, o resíduo doméstico é 100% coletado e falta o industrial, do setor coureiro-calçadista, que vai ser aproveitado como adubo. O couro vem da natureza e voltará para a natureza, como adubo, sem ser nocivo. Além da preservação do meio ambiente, que é o principal fator, a instalação da usina e todo trabalho a ser feito vai colaborar também com a Indicação de Procedência do sapato de Franca para o mundo”, disse Brigagão, ao ressaltar que um dos requisitos do Indicador de Procedência de Franca é a Consciência Ambiental, que engloba a destinação correta dos resíduos industriais (Coleta Ecoeficiente).
As indústrias que aderirem vão ser certificadas pela destinação adequada dos restos de couro.
A Ilsa firmou parcerias com cooperativas locais e o adubo produzido em Franca deverá ser destinado às plantações de café e cana-de-açúcar na região. Com o conceito de sustentabilidade, a Ilsa é uma empresa com 60 anos de experiência e especialista por transformar matérias-primas de origem renovável em produtos de alto desempenho para a agricultura. No Brasil está instalada em Portão (RS), vende produtos em todo território nacional e exporta para outros 52 países.
Franca possui atualmente 388 indústrias calçadistas, de acordo com dados do Censo do Sindifranca de março e abril de 2022. Atualmente os restos de couro são destinados para o Aterro Sanitário de Franca ou, quando forem classe 1, com alta contaminação por cromo, seguem para um ponto de transbordo em Sales Oliveira e depois são encaminhados para aterro apropriado em Uberaba (MG). “A responsabilidade do destino é do gerador do resíduo. Com a usina, as empresas terão custo menor que hoje e um grande ganho, eliminando um dos fardos do setor, que é o passivo ambiental”, explicou Brigagão.