O ano de 2022 tem sido marcado por surto da síndrome mão-pé-boca em Franca. A doença é altamente contagiosa, causada pelo vírus Coxsackie, da família dos enterovírus, que habita normalmente o sistema digestivo e também pode provocar estomatites (espécie de afta que afeta a mucosa da boca). A síndrome prevalece mais na faixa etária abaixo de cinco anos, mas pode atingir crianças maiores e, com menos frequência, adultos.
Homero Rosa Júnior, médico da Vigilância Epidemiológica, explicou que a doença tem um caráter de temporadas, mas não obedece a estação do ano, como outras. Segundo ele, dificilmente a criança vai apresentar gravidade ou óbito, mas pode ter uma grande dificuldade para se alimentar, o que pode causar desidratação, quadro de desnutrição, perda de peso e enfraquecimento do sistema imunológico. “A doença tem uma disseminação maior entre as crianças de 3 a 4 anos, justamente porque são as que ficam em creches, berçários e maternais, tendo em vista que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e formação, o que faz com que elas adquiram doenças infecciosas mais fáceis”, ressaltou o médico.
Os principais sintomas da doença são febre alta nos dias que antecedem o surgimento das lesões; aparecimento na boca, amídalas e faringe, de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro, que podem evoluir para ulcerações muito dolorosas; erupção de pequenas bolhas, em geral, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, mas que pode ocorrer também nas nádegas e na região genital; mal-estar, falta de apetite, vômitos e diarreia; por causa da dor, surgem dificuldades para engolir e muita salivação.
A transmissão acontece pela via fecal/oral, através do contato direto entre as pessoas ou com as fezes, saliva e outras secreções, ou então através de alimentos e objetos contaminados. Mesmo depois de recuperada, a pessoa pode transmitir o vírus pelas fezes durante aproximadamente quatro semanas. O período de incubação costuma ser de sete dias.
O pediatra Homero Rosa Júnior recomenda a adoção de medidas de higiene, lavar as mãos com frequência e o retorno do uso do álcool em gel. “Temos que solicitar aos pais, aos familiares e aos educadores que caprichem muito na higienização das mãos, que deixem bem separados objetos pessoais de cada criança. Esse vírus pode ser transmitido por resíduo de fezes, pela boca, pelas lesões, contato físico direto, pelos tecidos, roupas, é muito fácil de ser transmitido. Temos que frear essa transmissão. E criança doente não deve ir para a escola”.
Não existe vacina contra a doença mão-pé-boca. Em geral, como ocorre com outras infecções por vírus, ela regride espontaneamente depois de alguns dias. Por isso, na maior parte dos casos, tratam-se apenas os sintomas. Medicamentos antivirais ficam reservados para os casos mais graves. O ideal é que o paciente permaneça em repouso, tome bastante líquido e alimente-se bem, com comida mais pastosa e líquidos.
O retorno às atividades só deve acontecer após a criança estar 24 horas sem febre, e com todas as feridas cicatrizadas.
Suspensão de aulas
Após confirmação de casos, creches da cidade precisaram suspender parcial ou totalmente as aulas para evitar maior contaminação entre crianças e bloquear a transmissão do vírus.
A principal orientação para os pais e responsáveis é que, diante do surgimento de sintomas, a criança receba atendimento médico e fique de repouso, em casa, evitando a transmissão da doença para outras pessoas.