Como vários segmentos, o setor comercial em Franca ainda sente os efeitos remanescentes da pandemia, mas demonstra claros sinais de recuperação. O saldo positivo em empregos é um deles e tem reflexos na expectativa dos lojistas para aumento ou melhora das vendas neste segundo semestre de 2022.
Após um começo de ano mais retraído, que teve perda de 277 postos somente em janeiro, o comércio francano registrou abertura de vagas, com destaque para o saldo de maio, junho e julho, que soma 716 postos de trabalho.
“No primeiro semestre de 2022, o comércio abriu 225 postos de trabalho. É um resultado positivo, tendo em vista que as maiores contratações acontecem no segundo semestre para esse setor. Há uma tendência de alta de contratações que fica explicitada a partir de maio até julho”, afirmou o economista do IE-ACIF (Instituto de Economia da Associação do Comércio e Indústria de Franca), Adnan Jebailey, que considera o momento do setor comercial positivo, principalmente quando se trata de recuperação de empregos para esse setor no pós-pandemia. “Além disso, vale ressaltar que algumas medidas como o aumento do auxílio emergencial impactaram positivamente esse setor.”
Adnan ressaltou que no primeiro semestre deste ano, segundo Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), houve um aumento de 11,2% no valor nominal de faturamento do comércio no Estado de São Paulo e, segundo ele, “fatalmente, esse cenário tem reflexo na economia francana”.
Luís Gonzaga, proprietário de lojas de calçados femininos e masculinos no Centro de Franca e Ribeirão Preto, comemora a retomada dos negócios no primeiro semestre. “Registramos um aumento entre 10% e 15% nas vendas em relação a 2021. E temos perspectivas de melhorar ainda mais até o fim do ano”, afirmou ele, que atua no comércio há 20 anos.
Maria Isabel Silva é vendedora de uma loja de roupas femininas no Bairro Cidade Nova, na Rua Álvaro Abranches, um dos principais corredores comerciais em Franca, e tem expectativa de retomada e aquecimento das vendas nos próximos meses. Datas especiais como a Black Friday – em novembro – e Natal são vistos como combustíveis para alavancar o comércio. “Sentimos que o movimento está parado, talvez por reflexos ainda da pandemia e por ser ano político, o que deixa as pessoas mais inseguras e resguardadas. Mas acreditamos no aquecimento das vendas a partir de agora”.
No Leporace, outro pólo comercial da cidade, Aline Silva, vendedora de uma loja de confecção masculina, feminina e infantil, além de artigos de cama, mesa e banho, comemora o boom no movimento de clientes e retorno das compras, notados especialmente a partir de abril. “Depois do caos da pandemia, melhorou muito, principalmente a procura por roupas de crianças, que perdem tudo rápido demais, e elas tinham ficado mais quietinhas em casa, mas voltaram para a escola e a sair, então precisam de peças novas. Temos muita procura por presentes de aniversário também, já que as festas voltaram a ser feitas. A gente está com boas expectativas para o fim do ano também, que continue melhorando”, afirmou ela.
Pesquisa recente divulgada pelo Instituto de Economia da ACIF mostra o aumento de empresas na cidade entre 2021 e 2022, mais um fator que sinaliza a recuperação econômica.
O levantamento, divulgado em julho, tem por base os microdados da Receita Federal e revela que setor de vestuário predomina quando o assunto é o ramo de atividade. Somente nos últimos 17 meses, foram 1.470 lojas inauguradas neste segmento, quase 3 por dia.
O Centro da cidade é a região que mais concentra a abertura de novas empresas em 2022, foram 194, seguido pelo Jardim Paulistano, com 97, 85 no Jardim Aeroporto III e 74 empresas no Brasilândia. O Parque Vicente Leporace é o quinto bairro onde mais empresas foram abertas neste ano, com 64.