A empresária e empreendedora social Flávia Lancha é uma das candidatas a deputada federal por Franca em 2022. Formada em Ciências e Letras, Flávia é pós-graduada em Gestão e Liderança Pública.
Atualmente, a empresária se divide entre Franca e as cidades da região, onde busca votos para tentar se eleger. Em entrevista ao Verdade, ela destacou a importância da representação em Brasília e falou das suas principais propostas.
O que motiva disputar uma vaga no Congresso Nacional?
Cresci tendo como principal exemplo o meu pai, Dr. Lancha, que tinha como lema de vida a frase ‘A vida só vale a pena pelo bem que fazemos aos nossos semelhantes’. E levo isso muito forte comigo. Tenho projetos sociais há mais de 20 anos. O primeiro deles foi o Ampliando Horizontes, que nasceu com o objetivo de alfabetizar os colaboradores da minha fazenda. Na época, muitos eram analfabetos. Transformamos um galpão da fazenda em escola, contratamos duas professoras e começamos as aulas. Um caso que me emociona até hoje é o do Sebastião, que trabalhava conosco, frequentou as aulas e, depois de um ano, me fez um relato emocionante. Ele disse ‘dona Flávia pela primeira vez consegui ler o ônibus que eu precisava pegar. Me senti como um cego que passou a enxergar’. O projeto existe até hoje.
Em 2008, depois de receber relatos das nossas crianças da fazenda do bullying que estavam sofrendo nas escolas que ficavam na cidade resolvi criar a GIMA (Gincana Intermunicipal pelo Meio Ambiente) e mostrar para esses alunos como era a realidade na fazenda, além de incentivar a conscientização com o meio ambiente. Ao longo de todos esses anos, milhares de crianças passaram pela gincana, que cresceu e se transformou em uma feira cultural.
Em 2018, depois de passar pela Secretaria de Desenvolvimento de Franca vi, ainda mais de perto, como a falta de capacitação atrapalhava quem procurava emprego. Assim, com recursos meus, sem qualquer ajuda de poder público, fundei o ICOL (Instituto de Capacitação e Orientação livre) que oferece cursos gratuitos e rápidos voltados para o mercado de trabalho. Nestes primeiros anos, mesmo com a pandemia, mais de 3 mil alunos já passaram pelo instituto. Eu decidi me candidatar porque quero fazer mais e por mais pessoas. Não temos um deputado federal há 12 anos e precisamos muito mudar essa realidade.
Quais serão as prioridades se eleita deputada?
Minha prioridade será defender nossa região tão esquecida nestes últimos anos. Somos 23 municípios, mais de 700 mil habitantes e não temos quem nos defenda em Brasília. Quem seja a nossa voz. Estamos constantemente perdendo espaço e importância. Isso precisa parar. Somos fortes, temos um enorme potencial. Merecemos mais. E vou lutar para termos mais recursos e mais participação nos programas federais. Quero trazer o desenvolvimento de volta. Atrair investimentos para a nossa região. Aquecer nossa economia, gerando emprego e renda. Nossa população precisa de mais saúde, mais emprego, mais oportunidades. Não podemos mais fechar os olhos para a realidade que vemos nas ruas. Um deputado federal tem emendas que chegam próximo de R$ 18 milhões por ano. É um dinheiro que se bem empregado aqui nas nossas cidades pode mudar e muito a realidade atual.
Eu sou mulher e sempre lutei pela igualdade de oportunidades. Por isso, também quero fortalecer a presença feminina na política. Nós, mulheres, somo a maioria do eleitorado e ocupamos só 15% dos cargos eletivo. É um absurdo!
O que destaca de suas experiências pessoais e profissionais que podem contribuir para um eventual mandato como deputada?
Além dos projetos que citei que me motivaram a querer alcançar ainda mais pessoas e transformar mais vidas, como empresária construí uma empresa de sucesso. Meu marido e eu criamos a Labareda em 1984. Enfrentamos muitas dificuldades, mas conseguimos crescer, desenvolver e hoje exportamos para diversos países e temos um dos 10 melhores cafés de todo o Brasil. Tenho orgulho de sermos uma empresa focada nos colaboradores. Investimos no crescimento deles e nos seus talentos e individualidades.
Desde que decidi entrar para a política, também fiz questão de me especializar. Entender o que é esse universo e me aprofundar. Fiz pós-graduação em Gestão e Liderança Pública por um dos centros mais conceituados do mundo que é o CLP (Centro de Liderança Publica), que tem uma parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra. Fui secretária de Desenvolvimento de Franca por dois anos. Vi de perto como a máquina pública funciona, suas dificuldades. Aprendi muito.
Ao longo dos últimos dois anos, viajei várias vezes à Brasília. Estive com ministros, com deputados e pude também ver como é a vida na capital federal e os bastidores da política nacional. Hoje posso garantir que estou preparada para representar Franca e região em Brasília.
Franca tem quase 20 candidatos a deputado federal. Na sua opinião, por que você deve ser a representante da cidade?
Acredito que por toda a minha história de vida que contei um pouco aqui para vocês. Eu não sou e nem quero ser uma política de carreira. Eu estou na política. Não sou política. Estou porque quero colaborar com as pessoas, quero fazer a diferença na vida de quem mais precisa e não é visto e nem ouvido. Eu não preciso da política. Poderia muito bem estar na minha empresa. Mas decidi esse caminho porque acredito que pessoas boas precisam dar sua contribuição. Não adianta só reclamar dos políticos. Temos que fazer nossa parte, assumir nossa responsabilidade.
Em 2020, mais de 56 mil francanos acreditaram em mim e no que eu poderia fazer pela nossa cidade. Como deputada federal sei que posso fazer muito mais por Franca e todas as cidades da nossa região. Tenho visitado todas as cidades há quase dois anos e visto de perto a realidade da população, suas necessidades e como posso ajudar. Tenho repetido bastante e acho muito importante reforçar: não temos um deputado federal há 12 anos e isso precisa mudar. Franca perde muito com essa polarização e também quando os eleitores escolhem candidatos que são de outras cidades e só nos trazem migalhas. Temos que fazer o voto útil e escolher o nome que tem condições de ganhar e fazer um bom trabalho. Mesmo sem ser deputada já trouxe mais de R$ 5,5 milhões para Franca e região. E vou trazer muito mais como deputada federal. Peço só um voto de confiança da população.
Que propostas tem para áreas essenciais para a população como:
Economia e geração de renda
Atualmente, 90% das empresas que estão ativas na nossa região são micro ou pequenas empresas. Dos empregos criados em 2021, 75% foram em micro e pequenas empresas. As micro e pequenas empresas (cerca de 37 mil na nossa região) são responsáveis por mais de 80% das vagas de emprego. Então, temos a obrigação de apoiar o micro e pequeno negócio. Uma das minhas propostas é ampliar a presença da região no Proger – Programa de Geração de Renda, que prevê crédito para pequenos negócios, cooperativas e associações. É desenvolvido em parceria com o Sebrae. Também quero implementar programas de apoio e orientação para o desenvolvimento e a estruturação do pequeno empreendedor e estimular os pequenos negócios com ações regionais em conjunto com as prefeituras e as entidades.
Muitos municípios da nossa região não contam com parcerias junto ao Sistema S para o oferecimento de cursos de capacitação gratuitos. Na maioria das cidades, os cursos de capacitação são oferecidos pela própria Prefeitura, mas nem sempre voltados às necessidades do mercado. O número de vagas e horários disponíveis são insuficientes para atender a toda a demanda. Por isso quero trazer o Programa Qualifica Mais, que é ligado à Secretaria Nacional de Tecnologia – Ministério da Educação e oferece cursos de qualificação profissional (em especial na área de tecnologia) em parceria com as prefeituras. Quero estreitar parcerias com o Sistema S para aumentar a oferta de cursos gratuitos nos municípios da região e intermediar parcerias com as universidades locais para que possam também servir de polo de cursos para a população. Além disso, temos que valorizar nossa vocação econômica. Entre elas: o turismo, o café, a cachaça, o fumo, o nosso artesanato, nossa cultura. Quero levar para as prefeituras o conceito da economia criativa e como desenvolvê-la nos municípios. Criar, em conjunto com as prefeituras, as universidades, os governos e a iniciativa privada, um conselho de desenvolvimento econômico regional que tem como principal função discutir e elaborar planos para o desenvolvimento da economia de cada município e da região como um todo e buscar junto ao governo federal recursos para desenvolver as potencialidades econômicas da nossa região.
O turismo é outro setor que precisa ser melhor estruturado e desenvolvido. Dos 23 municípios da região, 13 têm potencial turístico. Já requereram inclusive o MIT, mas só sete contam com o programa. Hoje o Turismo responde por 8% do PIB nacional e movimenta por ano US$ 115,7 bilhões (2019) e emprega no país 6,9 milhões de pessoas. Podemos trazer para a região o Programa Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo), fazer um mapeamento do turismo na região (já tem modelo no programa) e então solicitar recursos para os programas e iniciativas de desenvolvimento do turismo. Criar em conjunto com os municípios um guia turístico da nossa região. Promover e melhor aproveitar as Indicações Geográficas do Café e do Calçado francano. Quero também promover em conjunto com as prefeituras o mapeamento de novos setores que possam obter a indicação geográfica – como é o caso, por exemplo, da cachaça produzida em diversos municípios da nossa região.
Atualmente, segundo dados da FGV, 12,3 milhões de jovens com idades até 29 anos não trabalham nem estudam no Brasil. No total, 56% dos jovens até 29 anos estão atualmente desempregados. A região administrativa de Franca conta com 167 mil jovens com idades entre 15 e 29 anos. Quero defender a criação e efetivação do Priore – Programa Primeira Oportunidade e Reinserção, proposto pelo governo federal. Ele previa incentivos para a contratação de trabalhadores entre 18 e 29 anos e acima de 55. Além disso, previa ainda um pagamento de auxilio-bônus de R$ 275 O programa foi apresentado ao Congresso como medida provisória, mas não foi aprovado. Quero ainda implantar junto às universidades os chamados Bancos de Talentos com os dados disponibilizados dos alunos formados e que têm interesse em atuar junto ao mercado de trabalho regional
Por fim, a região de Franca tem potencial para se tornar um polo de tecnologia do Estado de São Paulo em virtude das universidades e da sua vocação para novos negócios. O setor de tecnologia no Brasil obteve um faturamento de R$ 429 bilhões em 2020. Hoje existem 422.000 empresas tecnológicas no Brasil. Metade delas no Estado de São Paulo. Só no último ano, foram criadas 80 mil. Então, podemos buscar junto aos governos federal e estadual recursos para a criação do Polo de Tecnologia de Franca, nos mesmos moldes do já existente na cidade de Santos.
Saúde
Na saúde, quero como prioridade ajudar a aumentar o número de leitos para atendimento de pacientes SUS na região de Franca. Não é possível que continuemos a ver pessoas doentes esperando por dias e semanas uma vaga de internação. Isso é inadmissível. Temos que agir. Temos que conseguir recursos, ajudar nossos hospitais a ampliar a capacidade. E essa será minha prioridade.
Além disso quero incentivar a medicina preventiva, atrás da maior atenção ao atendimento básico com recursos para ampliação do programa Estratégia Saúde da Família nas cidades.
Tenho muitos outros projetos e peço a quem quiser conhecer mais que acesse minha página www.flavialancha.com.br ou nas minhas redes sociais.
Gostaria de fazer mais alguma consideração?*
Franca não tem um representante federal há 12 anos. Isso precisa mudar. Com o início da campanha, o carinho e o apoio que tenho recebido das pessoas, enxergo que a população está unida para eleger um representante aqui da nossa cidade. O apoio de todos é muito importante. Só com a nossa união vamos conseguir vencer. Eu estou aqui pedindo o voto de confiança para podermos fazer a diferença. Se você acredita que podemos ser mais fortes, que merecemos mais atenção, vote 5525, vote Flávia Lancha.