Fernando Lima
Dois anos, este é o tempo que Camila Alves não vê o rosto do filho dela de perto, apenas por fotos e imagens de circuitos de câmeras de segurança que rodaram o país.
Nem mesmo esta repercussão nacional do caso e a circulação massiva das imagens foram suficientes para que o paradeiro de Wesley fosse desvendado, aliado a isso, buscas foram realizadas pela Polícia Militar e Civil, além de um trabalho paralelo da família, não apenas em Franca, mas em toda a região, em cidades do estado de Minas Gerais, além de municípios do ABC Paulista e no litoral, mas nada, absolutamente nada disso, fez com que o garoto fosse encontrado.
“Eu sigo esperando uma pista, uma notícia verdadeira, eu espero que ela apareça. Espero alguém que saiba o que aconteceu, seja uma coisa boa ou coisa ruim, eu preciso saber”, desabafou Camila nas redes sociais.
A última transmissão realizada pela mãe de Wesley foi em abril, ela explicou que decidiu se afastar das redes sociais por conta dos ataques que ela e a família sofreram durante todo o tempo do desaparecimento.
Segundo a mulher, algumas pessoas chegaram a dizer que ela e o marido eram traficantes, e que o menino tinha sido levado por conta de dívidas, o que foi negado por ela, dizendo que não tem nada a esconder.
“Eu preciso que as pessoas denunciem no lugar certo, que é na delegacia. Se chegar denúncia e mostrar a verdade na denúncia, eles vão”, disse na transmissão.
A transmissão feita por Camila Alves durou quase uma hora, a princípio, a mulher contou o motivo de ter se afastado das redes sociais, depois passou a contar todo o drama que tem vivido junto com a família, mas que ainda assim a vida continua fora do Facebook.
Ao mesmo tempo, Camila contou que tem esperança de encontrar o filho vivo.
“Tudo o que eu consegui fazer eu fiz, faço ainda até hoje, chega alguma coisa eu vou, eu tento. Infelizmente não encontrei ainda, eu quero muito um dia fazer essa live com ele aqui, que esse dia chegue logo. Eu espero que as pessoas de bem continuem divulgando. Não abandonem ele”, finalizou.
Foi no dia 28 de agosto de 2020 que Wesley Pires Filho saiu de casa na zona sul da cidade, era uma sexta-feira de mais uma semana normal na vida da família.
O menino morava com o pai, a mãe e duas irmãs. Ele disse que iria até um varejão próximo a casa deles, o que, de acordo com a família, era costume do adolescente, mas neste dia ele não voltou.
A família realizou buscas por conta própria antes de acionar a polícia. Logo, imagens de câmeras de segurança davam conta que Wesley caminhou de forma tranquila pelo bairro vizinho, depois entrou em uma mata na avenida Emílio Paludetto, tudo registrado.
A última pista concreta da investigação é um registro do menor empurrando uma bicicleta na Rodovia Ronan Rocha, entre Franca e Patrocínio Paulista.
Em dezembro do ano passado, um retrato atualizado de Wesley foi divulgado pela Delegacia de Investigações Gerais de Franca. O delegado Márcio Murari explicou que isso é importante porque quando saiu de casa o garoto tinha treze anos, agora com quinze, o corpo já pode ter passado por diversas transformações.
O caso ainda está aberto pela delegacia e qualquer informação pode ser repassada pelo 181, ou pelo 190, de forma anônima.