A enfermeira Caroline Cristina Coelho, de 31 anos, é mãe do Pedro, de 2 anos e 9 meses. Assim que retornou da licença maternidade ao trabalho, ela assumiu a Ala Covid no Hospital Regional de Franca e também era a enfermeira responsável pela UTI Adulto, no início da pandemia, em 2020.
Como muitos profissionais, ela precisou se afastar dos familiares, inclusive do filho, que à época era um bebê de apenas sete meses, e se mudou para a casa da avó paterna com o pai, o engenheiro civil Leonardo Arantes.
Após dois anos de pandemia e todas as privações, tristezas e medos que acompanharam esse período, Carol disse que se sente aliviada e emocionada por ter passado a fase mais crítica da Covid. O Dia das Mães 2022 promete ser mais especial para ela e a família.
Como foi para você enfrentar esse momento de tanta apreensão na pandemia?
Assumi a Ala Covid logo depois que voltei de licença maternidade em março de 2020, bem no início da pandemia no Brasil. Fiquei muito assustada porque logo que voltei já assumi a ala do Covid, que foi montada no Hospital Regional. Lembro que as manchetes nos jornais na época falavam da situação da Itália e eu via todos aqueles profissionais da saúde morrendo, pensei que fosse acontecer comigo também. Foi muito triste ver todas aquelas notícias e estar esperando passar por aquela situação também.
O momento pandêmico foi de muitas dúvidas, pouco sabíamos sobre o vírus e seu potencial, com isso várias medidas precisaram ser tomadas para preservar a gente e pessoas do nosso convívio. Você precisou se isolar dos seus familiares?
Precisei me isolar do Pedro logo que assumi a Ala Covid. Ele ficou com o pai na casa da minha sogra por um mês. Não pude pegar ele, abraçar, fazer dormir, enfim eu apenas ia visitar ele, ficava na rua vendo ele, e logo ia pra casa. Me isolei de todos, meus pais, irmãos e amigos mais próximos também, nosso único contato era com a equipe que trabalhava também na ala.
Como foi ficar distante do seu filho?
Lembro que o Pedro me via, ele tinha apenas 7 meses, ria, brigava querendo chamar minha atenção, e eu não podia pegar ele no colo, porque não sabia se estava com o vírus ou não. Essa era uma incerteza de todos os dias no final do plantão. Será que hoje me contaminei? Será que estou com Covid?
Como vocês superaram essa fase?
Foi a melhor sensação do mundo quando o Pedro voltou para casa, após um mês, mesmo assim tive que manter uma série de cuidados, como lavar roupas separadas, usar banheiro separado, não usar sapato dentro de casa, nada de muito beijo e abraço.
E isso aos poucos foi se tornando mais fácil, foi virando um hábito mesmo.
Qual a sensação para você de vermos que o período mais crítico da pandemia está sendo superado?
Me emocionei muito quando estava na missa pela primeira vez depois desses dois anos, e vi o rostinho de todos sem máscara, passou um filme na minha cabeça, lembrei da sensação em ver um paciente com Covid pela primeira vez, lembrei do medo e a angústia em querer ajudar, em poder fazer mais por aquela pessoa, e hoje estamos assim, a maioria vacinada e feliz, tentando reerguer após esses dois anos.
Como foi o seus últimos Dias das Mães?
Lembro que o Dia das Mães no ano de 2020 foi um dia sem abraços e sem beijos, demonstramos nosso amor por mensagens de texto em redes sociais sem saber quando tudo isso iria passar. Acredito que foi o ano mais difícil para todos.
Carol, queria que você falasse um pouco sobre a maternidade para você.
Quando descobri que estava grávida foi uma grande surpresa, mudei toda minha rotina e minha vida para receber o pequeno Pedrinho, foi um salto de filha para mãe. Saí da casa dos meus pais e fui me organizar para recebê-lo em nosso cantinho. Foi muito gostoso arrumar o quartinho, as roupinhas nas gavetas, cada detalhe daquele quartinho foi feito com muito amor.
Quem é sua referência como mãe?
Minha base, meu exemplo e minha inspiração vem de duas mulheres guerreiras, minha mãe e minha irmã, mulheres fortes. Uma me ensinou o quanto o trabalho é importante, o quanto nossa independência financeira e emocional são essenciais, principalmente para criar nossos filhos. A outra me ensinou toda delicadeza, sabedoria e fé que uma mulher precisa ter para desempenhar seu papel de mãe, esposa, amiga. Enfim, é com um pouco de cada uma dessas mulheres fortes que me faço e me reinvento todos os dias.
