Nelise Luques
A médica neuropediatra Irene Abramovich, presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), esteve em Franca na última quinta-feira (28) para participar do 7º Encontro de Ética Médica no Uni-Facef, que marcou a entrega dos jalecos e do Código de Ética Médica para 70 alunos primeiranistas do curso de medicina.
Em entrevista exclusiva ao Verdade, Irene Abramovich destacou como um dos principais desafios do Cremesp os falsos médicos e a resistência contra o Revalida, exame que deve ser feito por médicos brasileiros e estrangeiros residentes do Brasil que se formaram em instituições no exterior.
A presidente do Cremesp falou ainda sobre o papel do SUS durante o caos vivido com a pandemia e a importância das vacinas.
Doutora Irene, como surgiu o interesse da senhora pela medicina?
Olha, desde que eu me conheço por gente, eu queria fazer medicina. Não me pergunte muito porquê, mas eu queria. E não me arrependo um minuto. Eu entrei na medicina, fiz o curso, trabalho há 55 anos como médica e não me arrependo um dia da profissão que eu escolhi, gosto do que eu faço.
Mas esse desejo era por quê? Era para ajudar as pessoas, salvar vidas?
Não sei, acho que é um todo. Era um todo. Não era clareza assim, eu quero fazer por isso ou por aquilo. É assim, eu não me via em outra profissão, desde criança. Sabe eu acabei o colegial, e disse ‘eu quero fazer medicina e pronto’. E fui.
Atualmente, a senhora se dedica ao Cremesp e à parte acadêmica…
Eu atendia até pouco tempo atrás, mas com a presidência do Conselho não dá para eu atender. Eu não posso ter uma pessoa que está me esperando para tomar uma decisão e eu estou numa reunião do conselho, então eu acabei fechando o consultório, me aposentei do HC por isso, mas eu ainda gosto, se eu pudesse eu veria doente. Dou aulas ainda. Eu dei aula na Unicid por 12 anos, eu dou aula agora na São Camilo, eu sou preceptora da São Caetano, da Universidade Municipal de São Caetano e essa semana eu fui conhecer uma faculdade, me convidaram para ir dar aula. Mas na verdade eu gosto muito de ficar fazendo isso que eu estou fazendo em Franca, que é conferência, palestra para aluno. Mas conferência não é formal, é conferência informal, discutir ética com os meninos e estar falando, não uma coisa de graduação, tão formal. E lido muito com residência médica, eu lido muito com o ensino médico.
Nesses 55 anos como médica, quais histórias mais te marcaram?
É, tem muita coisa, uma das coisas que me marcaram muito foi quando eu morei na Grã-Bretanha. Porque quando eu fui para a Inglaterra, eu tinha acabado a residência, eu fui morar na Inglaterra e na Escócia e ali eu era uma desconhecida, cabia a mim mostrar quem eu era. Porque aqui você é filha desse, se é irmã desse, se veio daqui, você veio de lá e lá eu era uma desconhecida. E foi muito, muito bom. Porque foi um desafio provar o que eu sabia de medicina e crescer e fazer. Eu fiquei um ano e meio lá. Então isso foi uma coisa que me marcou, eu fui morar sozinha, foi uma coisa muito boa na minha vida. Mas também foi muito bom quando eu descobri o Conselho de Medicina, eu já fui de quatro gestões do Conselho em épocas diferentes, fui do federal e é o espaço da política médica, eu vou chamar assim, que me interessa, eu não não sou de outros tipos de entidade, eu sempre fui de Conselho e de ética, essa é a minha área.
Como a senhora disse, teve essa experiência em outras gestões, mas agora a preside o Cremesp. Como é ser presidente do Conselho?
Olha, primeiro eu me tornei presidente no susto quase, porque no dia 20 de março de 2020 eu era vice-presidente e o presidente renunciou, em pleno início da pandemia. E aí alguém falou: ‘E agora’? Eu falei: ‘Eu estou assumindo’. Alguém falou: ‘Você é de risco’. Eu disse: ‘Eu sei que eu sou de risco, pela idade eu sou de risco’. Mas nem por isso eu deixei de assumir. Eu falei: ‘Eu não vou largar 180 mil médicos e nenhuma população numa doença que ninguém sabe o que vai acontecer e consegui tocar. Tudo bem, eu tenho sorte numa coisa, eu moro praticamente em frente ao Conselho, é na mesma rua, eu só atravesso. Então, eu ficava entre a minha casa, atravessava, subia no conselho, ficava na minha sala com máscara e depois tomei todas as vacinas, me protegi e consegui trabalhar durante esses dois anos. E daí eu fui reeleita. Eu era vice, depois a gente trocou a diretoria e fui eleita a presidente. Agora eu sou a presidente eleita.
E além da pandemia, quais outros desafios que a senhora enxerga para o Cremesp?
Um monte. Nós estamos tendo grandes desafios. Primeiro a invasão da nossa área por profissionais não habilitados. Ou seja, um dentista fazendo procedimentos que são procedimentos da área médica, um biomédico fazendo, porque o médico que tem que consertar depois, depois que deu o erro. Então, assim, eu não tenho nada contra a equipe multidisciplinar, trabalho em equipe e gosto de trabalhar, mas cada um tem o seu papel, eu não vou me meter numa área que não é a minha, eu não quero crescimento numa área que é do médico. Desde cirurgia oftalmológica de plástica que não é para o dentista. Desculpe, isso é para o oftalmologista. Então esse é o primeiro desafio, nós até estamos com ações judiciais. O segundo grande desafio são os falsos médicos e o pessoal do Revalida, que são 60 mil. Terceiro desafio, um monte de faculdades mal formadas, eu estou encantada com essa daqui (Uni-Facef), que eu conheci, eu não conhecia, eu conhecia Assis na semana passada, estive numa outra e estou encantada com algumas faculdades novas do nosso Estado que eu não conhecia, agora eu vou começar a ir em quase todas porque eu estou querendo sentir como é que é, como é que é o corpo docente, como é que são os alunos. Quando você dá uma aula, você está falando de ética e tem 60 aluninhos com os olhos brilhando, prestando atenção, você ganhou o dia. É a coisa mais importante. Não tem preço. Nenhum estava com o celular ligado, passando mensagem, sabe? Estava todo mundo com os olhos e valeu aqui, em Assis foi a mesma coisa, em São João da Barra foi da mesma coisa.
Doutora Irene, uma vez detectando esses problemas dos falsos médicos e dessa ‘mistura’ de competências médicas, o que o Cremesp fará na gestão da senhora em tentar conter essas situações?
Falso médico só tem um caminho, é a Justiça. Porque como ele não é médico, nós não podemos mandar para a polícia. Nós não temos atuação na pessoa que não é médica e que está exercendo por conta. Então esse nós não temos que fazer. O Revalida nós vamos brigar até o fim pela defesa do Revalida. Que é um absurdo, as pessoas fizeram curso no Peru, na Bolívia, no Paraguai e não querem revalidar. Se eu fizer um curso em Oxford, Cambridge, Heidelberg, eu estou falando das universidades mais antigas do mundo, eu vou revalidar. Qualquer um tem que revalidar. Eu sou uspiana. Os uspianos que foram para os Estados Unidos, revalidaram, isso é a coisa mais normal de um país para o outro. Eu não entendo porque que o brasileiro que fez um cursinho de fim de semana ou coisa assim ele não vai revalidar. Eu falo que se ele tivesse tão seguro de que ele é bom, ele seria revalidado. É que ele sabe que não vai passar. Esse é o problema.
Em Franca, em 2015, houve uma situação gravíssima na rede municipal de saúde com contratação de falsos médicos. Já vivenciamos de maneira muito próxima essa situação. Qual a orientação aos pacientes e às próprias instituições que contratam profissionais de saúde para se certificarem que o profissional é realmente médico?
Primeiro é exigir toda a documentação. Segundo, entrar no site do Conselho, é um site aberto, ou seja, não é um site de médico para médico. Ele tem o guia médico, então, eu abro lá e vejo, eu vou pegar meu nome, Irene Abramovich, médica, qual é o meu CRM, tem minha foto, tem o meu título, se eu sou especialista ou não. É tão simples, é só procurar. E é fonte oficial e aberto. Quer dizer, você vai consultar com um médico e você quer saber se ele é, você entra no site e vê, verifica, está lá o nome, se ele, permite, o endereço, mas tem a foto, você vê quem é. É o maior filtro! Esse caso daqui de Franca não tinha, eu conheço o caso daqui. Eu sei que eles usaram o mesmo nome, o primeiro nome era similar ao de um cara que era médico. O primeiro, o cara, aquele era falso mesmo, ele tinha feito dois anos de medicina só, não é nem que não tinha revalidado, não tinha nem acabado o curso. Eu acho que é uma irresponsabilidade você ter alguém no plantão que não é qualificado. Pelo amor de Deus. Quer dizer, como é que eu posso dizer a porta do meu hospital, seja qual for, ou da minha UPA ou do PS, não importa, quem está atendendo não é médico, não é possível!
Em março deste ano, mais um caso de falso médico ganhou repercussão nacional. Um homem de 32 anos com CRM falso atuava em uma concessionária na via Dutra e foi descoberto depois que amputou a perna de uma vítima de acidente. O Cremesp denunciou o caso à Justiça…
Ele é marceneiro. O pior é que, você não sabe, eu vi uma declaração assustadora que ele realmente é falso médico, mas que ele está dando plantão para juntar dinheiro para fazer o curso na Argentina, não dá para entender. É um processo totalmente inverso. É inadmissível e é inadmissível quem contratou também. Quem é que põe numa estrada como a Dutra onde os acidentes não são brincadeira? E não foi só isso, ele já tinha trabalhado em dois hospitais que a gente já tinha detectado. A gente já tinha chamado a polícia num dos hospitais. No primeiro, o Cremesp não sabia.
Doutora, um outro ponto que a gente enfrenta em Franca, é uma particularidade daqui, é a dificuldade em sanar o déficit de médicos na rede de saúde municipal. A Prefeitura tenta incansavelmente realizar concursos e não consegue completar a equipe necessária. Especula-se que poderia ser a questão salarial.
Talvez seja, eu não posso dizer porque eu não sei qual é a faixa salarial, não tenho a mínima ideia de quanto se paga aqui, qual é a faixa salarial, não sei nada disso, mas eu acho que teria que estar levantando. E eu acho que está na hora desse país também fazer uma análise, o país, agora eu estou falando de forma geral, de que profissionais nós precisamos. Porque tem profissionais que nos faltam. Isso, por exemplo, quem te dá muito bem é o Cross. Porque diz assim, não, não adianta eu mandar para tais e tais lugares, porque lá não tem neurocirurgião, não existe, não é que o cara não quebrou a mão hoje, não tem ninguém naquela região. Então a gente tem que investir em ter esse profissional lá e não criar gente para o que a pessoa quer ser. Olha, eu quero ser tal coisa em geral é coisa, em geral é coisa de estética que dá dinheiro e tudo mais, e está faltando um profissional de uma determinada área. O país tem que definir porque a residência é um um programa de Estado, o Estado paga, o Ministério paga, a maior parte das bolsas é nossa, é do Estado de São Paulo, é do Governo do Estado, então a gente pode dizer assim ‘olha, o que nós precisamos agora é esse, esse e esse profissional, esse nós não precisamos. A Espanha faz isso, Portugal faz isso, a Inglaterra faz isso, o Canadá faz isso. Você quer ser tal especialidade, ‘olha, não tem lugar no mercado agora. Você quer ser, você vai esperar alguns anos ou vai fazer outra coisa. Porque nós não vamos formar alguém que não vai ter onde trabalhar’.
Perfeito. Como a senhora vê a questão do subfinanciamento da saúde?
É uma catástrofe. O que eu acho incrível é que na pandemia o dinheiro apareceu, né? Na pandemia o dinheiro apareceu, então esse subfinanciamento, eu acho que está na hora da gente levar um pouco mais a sério, de ter uma clareza e eu acho que está na hora de de se acertar. O SUS deu uma lição nessa pandemia. O SUS que arcou com tudo. A vacina foi toda SUS, mais de cem milhões de pessoas vacinadas, se a gente contar duas, três vezes, é muito mais. Tudo foi SUS. O SUS atendeu os doentes, atendeu nas UTIs, se criou formas inclusive muito interessantes, que não são telemedicina. Por exemplo, nas UTIs, a gente tinha grupos que estavam à distância monitorando várias UTIs, porque não tinha gente qualificada, mas eles ficavam sentados em frente a computadores orientando o médico, que passavam a informação, formando uma rede de profissionais de alto nível com gente na linha de frente. Porque foi uma catástrofe, né? Nós nunca vivemos uma catástrofe dessa, nunca, eu nunca vi isso, foi um caos, mas a gente conseguiu sobreviver. Tudo bem, morreram 600 mil no país, não estou dizendo que foi simples nem nada disso, foi trágico, mas sobrevivemos.
A senhora falou da questão das vacinas e realmente a gente teve uma produção em tempo recorde, claro que baseada em tecnologias antigas, conhecidas e eficazes, mas foi produzida de forma muito rápida. Como a senhora avalia isso, foi como trocar os pneus com o carro andando?
Foi isso que fizemos. E não só trocamos, como ainda trocamos os pneus e ainda pusemos oito pneus provavelmente, porque não é que só fizeram vacinas, fizeram dez milhões, vinte milhões, não eram dez vacininhas, né? E eu não estou falando de uma marca só, nem estou nem defendendo uma só, foram centros de pesquisa e está funcionando. Você vê que agora as pessoas estão tendo muito menos a doença, as que estão tendo, está muito menos grave. Quem está na UTI não tomou vacina, já comprovamos que funcionou.
A senhora acredita nas vacinas e tomou todas as doses!
Tomei todas as doses, tomei no primeiro dia acima dos 70 anos e eu estava fazendo aniversário, era o meu aniversário ainda. A gente fez um posto no Conselho. Por exemplo, isso nós fizemos, acima dos 70, fechamos com a Secretaria Municipal e transformamos num posto de vacinação. Era só um posto e nós fomos, 70 anos, 65, para os médicos de São Paulo capital, ali na nossa sede. O primeiro dia foi uma loucura. Seis e meia da manhã já tinha gente na fila, a vacina começava às 9 horas, era o desespero para conseguir vacinar, porque acima de 70 eram as pessoas que estão fora da linha de ação e não tomou nos hospitais. Mas no segundo dia a gente já administrou, já fizemos drive-thru, foi uma beleza. Montamos um esquema que envolveu o Hospital Sírio, que emprestou uma geladeira, o outro emprestou uma ambulância, porque a gente não sabia o que ia acontecer.
E doutora, a gente parece assistir agora à uma desaceleração da pandemia. A senhora acredita que a gente já supera?
Eu acho que tem que manter o alerta, pelo o que eu vejo no mundo, sabe? Eu não sei, não sei, não posso te dizer porque não é nem a minha área de atuação. Uma coisa que eu queria te colocar é assim, o que que o Conselho fez na pandemia? Isso é uma coisa que nos deu muita satisfação. Nós fizemos lives, selecionamos quem era melhor no assunto, eles montaram uma aula, que está no site aberto até hoje para qualquer um assistir, está disponível para qualquer um, não é para médico só. E nós estamos dando a informação, nós não ficamos na questão de dar cloroquina ou não dar. Nós não entramos nessa.
Dentro das incertezas, o que havia de concreto vocês difundiram?
Nós difundimos! Não e não só isso, o que existe de conhecimento, de qualquer coisa, inclusive doenças mentais, porque as pessoas ficaram trancadas em casa um ano e começaram a ter muito problema. Quanto ao hospital, falamos sobre o gerenciamento, o financiamento. Nós fizemos aulas de tudo isso.
Qual foi o suporte dado aos profissionais porque a gente sabe que especialmente quem esteve na linha de frente sofreu um processo de exaustão muito grande.
Nós começamos a discutir em todos os lugares por causa das EPIs, porque no começo era assim, para garantir o uso, fizemos muita fiscalização, principalmente nos hospitais de campanha, e denunciamos. Mas não era denunciar só para a imprensa, mas para secretários municipais e estaduais, dizendo assim ‘olha, precisa consertar isso’. O Anhembi era um hospital de campanha em São Paulo, tinha 1.500 leitos para você ter uma ideia, para ter de um dia para o outro? Onde você acha gente, teve um problema seríssimo porque o local onde o médico repousava ficava dentro da ala vermelha, foi um inferno o que a gente viveu porque ninguém sabia nada e foi muito grave. A gente não sabia, a gente vivia o dia a dia com medo até de ficar doente. Mas eu acho que a gente aprendeu muito. Esses essa meninada de hoje, eu ia até falar: ‘vocês são felizes’. Porque eles não perderam dois anos, era só Covid, se eles estivessem em qualquer outra faculdade, se estivessem no sexto ano, travou a vida, se o cara é obstetra, ele ficou, porque era tanto Covid naquele momento.
Doutora, a senhora além de médica, tem muito contato com médicos no Cremesp. Que “herança” esses profissionais tiveram da pandemia?
Vem muita depressão ainda. Nós fizemos o memorial em homenagem aos médicos que morreram, nós inauguramos o memorial.
Quantos profissionais são?
Não, nós não pusemos o nome. Até saiu uma discussão se deveríamos colocar, mas não são todos que comunicaram a gente, então corria o risco de ficar de fora e também vai mudando todo dia, pode aumentar. Então a gente homenageou e mandamos para todas as famílias, as queriam, mandaram fotografia e fizemos um painel de fotos. É uma homenagem aos médicos que o Brasil perdeu. Nós fizemos somente para médicos, mas perdemos médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, os profissionais de saúde foram as grandes vítimas.
Quero voltar a um ponto que a senhora falou lá atrás, sobre residências médicas. A senhora tem uma vasta experiência, inclusive na Santa Casa de Franca. Conta como foi essa experiência?
Olha, um dia eu já não localizo mais no tempo, aparece um senhor na minha sala era o doutor Fernando Bueno, que eu não conhecia, e ele disse que queria falar comigo. O secretário tinha dito que quem ia montar a residência era eu. E eu me encantei com ele. Vim pra cá depois, ajudei a montar o tempo inteiro a residência na Santa Casa, a gente trabalhou junto muito tempo. Demos as bolsas, entraram no nosso concurso e a coisa foi crescendo. É uma participação importante e tenho um carinho enorme por isso.
Para finalizar, eu gostaria que a senhora avaliasse a participação neste evento aqui no Uni-Facef. Os alunos se sentiram muito prestigiados em ter a presença da presidente do Cremesp neste início da jornada no curso de Medicina.
Eles se sentiram honrados, mas vou usar a expressão que eles usam, que queriam um presidente pop, todos vieram tirar fotografia comigo. Eles perguntam se pode tirar fotografia, eu digo que é lógico que pode, mas tem um preço. Eles olham assim e eu falo que é mandar a foto para mim depois. Foi muito gostoso. Você olhar aqueles olhinhos ali. É o que eu digo, não dá para vim uma vez e esquecer. Tem que vir, voltar, discutir com eles. Eu sou informal, é o meu jeito de ser. E não gosto de dar aula por vídeo, eu tenho horror. Por quê? Porque eu gosto de olhar para a carinha deles. Porque quando você está olhando, se mexe a cabeça, olha para o lado, você percebe se está interessado, se você está falando na linguagem deles ou você não está, se está dormindo, então você muda a estratégia, você olha para a carinha e vê.
