Nelise Luques
Frases, letras e símbolos – na grande maioria das vezes indecifráveis e sem valor artístico – degradam a paisagem francana. Pichações se espalham pela cidade e recobrem lugares inusitados. O Jornal Verdade percorreu alguns bairros e encontrou símbolos pichados em muros, portas de cômodos comerciais, viadutos, marquises, monumentos, prédios históricos e até em placas de trânsito, um caminhão e terminais de energia elétrica e de telefonia.
O prédio da antiga Estação Mogiana, inaugurado no longínquo 1887, está tomado por pichações, que se somam à depredação em vitrôs, portas e telhado e à presença de diversos moradores de rua. Nem mesmo os vidros foram poupados pelos pichadores que deixaram suas marcas em vários deles.
Próximo à Mogiana, a Praça Sabino Loureiro, outro ícone histórico de Franca, também é alvo de vandalismo. O Coreto está todo pichado. A região da Estação é um importante circuito comercial da cidade e os lojistas da área lamentam a depredação na região com as pichações, mas resistem na hora de dar depoimentos sobre o assunto. Eles se dizem inseguros em dar declarações.
“Eles picham demais, principalmente os prédios públicos e isso dá uma impressão ruim aqui na Estação, que já tem outros problemas, está virando um ponto de moradores de rua muito forte. A Prefeitura vem e pinta os pichados, mas passa dois, três dias, já sujam tudo de novo”, afirmou o vendedor MW, que trabalha há seis anos em uma loja em frente a praça e desde então convive com o problema. Ele pediu para não ser identificado.
Nesta semana, um outdoor com conteúdo político foi atacado com tinta vermelha, no Recanto Elimar, na Zona Sul da cidade. Para os responsáveis, a ação é fruto de intolerância política.
As pichações normalmente são feitas em locais proibidos e à noite, são consideradas vandalismo e configuram crime ambiental. Márcio Murari, delegado titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), afirmou que desde a última semana uma equipe da unidade foi destacada para identificar autores de pichações em Franca e eles poderão responder criminalmente pela prática. “Esse tipo de ocorrência tinha diminuído na cidade, mas voltaram a pichar prédios públicos, comércios e outros locais”. Segundo Murari, o delegado Seccional Wanir da Silveira Júnior determinou uma investigação para identificá-los e eles poderão responder a processos criminais.
O Verdade acionou a Prefeitura de Franca e solicitou informações sobre a depredação de próprios públicos, fiscalização, reparos e ações para coibir a prática, mas até o fechamento desta matéria as respostas não haviam sido enviadas.
