O Memorial José Olympio é mantido pelo Claretiano – Centro Universitário de Batatais
Batatais completou 183 anos neste dia 14 de março, e o município concentra um riquíssimo acervo de escritores modernistas, podendo ser considerado referência para a cultura nacional. Em 1922, com apenas 83 anos de história, a cidade não imaginava que um século depois abrigaria um acervo rico em cultura e muito representativo para o Modernismo, movimento que foi iniciado com a Semana de Arte Moderna – ou Semana de 22 – que aconteceu em São Paulo de 11 a 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal.
Esta preciosidade cultural de Batatais, está no Memorial José Olympio, localizado no Claretiano – Centro Universitário de Batatais, lembrando que José Olympio nasceu em Batatais em dezembro de 1902 e se tornou um dos maiores editores de livros do país, inclusive de autores que surgiram após a Semana de 22.
Ana Carolina Guimarães, Bibliotecária do Claretiano, explicou que o Memorial concentra inúmeros livros de escritores modernistas como Afonso Schmidt, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade, inclusive, alguns tiveram suas publicações editadas por José Olympio. “Este é o caso de Macunaíma, de Mário de Andrade, a obra mais importante do Modernismo. Temos também obras com dedicatórias, como ‘Andorinha‘, de Manuel Bandeira; ‘Encantamento‘, de Guilherme de Almeida; ‘Salomé‘, de Menotti Del Picchia; ‘Rio de Janeiro em prosa e verso‘, de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade; ‘Um homem sem profissão‘, de Oswald de Andrade, e muitos outros”, explicou.A Profa Dra Elza Silva Cardoso Soffiatti, coordenadora do curso de História do Claretiano, comentou que a Semana de 22, na época, foi alvo de muitas críticas, no entanto, ganhou relevância com o passar dos anos. “O principal legado do movimento foi desprender a arte brasileira, que antes era uma reprodução de padrões europeus. A Semana de 22 serviu para o início da construção de uma cultura essencialmente nacional”, observou.
Logo após o movimento diversos escritores começaram a surgir e muitos tiveram suas publicações editadas por José Olympio, que teve a sua editora fundada nos anos 1931 chegando ao auge nos anos 1950, no Rio de Janeiro, tendo publicado milhares de romances e livros acadêmicos de renomados autores. Com o passar dos anos a empresa foi adquirida em 2001 pelo Grupo Editorial Record.
O Memorial
O Memorial José Olympio é mantido pelo Claretiano – Centro Universitário de Batatais, que detém a guarda de dois importantes acervos do editor. Um deles, composto por mais de 1.738 exemplares, foi doado ainda na década de 1970 à instituição pelo próprio José Olympio.
Já a outra metade, com 1.124 exemplares, estava sob a guarda da Prefeitura Municipal de Batatais. Em 2019, começaram as tratativas entre o órgão público e a instituição de ensino com o objetivo de unificar as coleções, o que se concretizou em 2020.
Todos os livros foram higienizados, catalogados e tombados. Alguns materiais estão digitalizados e podem ser consultados on-line na Biblioteca Virtual do Claretiano, pelo link:
https://biblioteca.claretiano.edu.br/pergamum/biblioteca/.
Para encontrá-las, basta escolher José Olympio no campo “Coleção” da busca.