Fernando Lima
Uma realidade sentida em todo o país também já afeta Franca, a dificuldade de encontrar testes para a Covid-19 tanto na rede pública quanto na particular. A assessora de imprensa Michele Oliveira contou que o final de semana dela foi marcado pela corrida para encontrar um teste, mas não conseguiu. “Tenho dois filhos que tiveram contato com o pai na última terça-feira, no mesmo dia o pai começou com tosse, dor de garganta e febre. Pelo que a gente lê é mais seguro fazer o teste depois de três dias, ele tentou no sábado em dois laboratórios particulares, e quatro farmácias de grandes redes, mas não conseguiu”, explicou.
Ainda segundo ela, os pais e outros familiares foram pessoalmente para checar se tinham o teste, mas já estava esgotado. “Tinha agenda aberta só para a terça-feira, nisso ele continuava com coriza. Voltamos a enfrentar um momento muito difícil e tenso com a pandemia. Eu já me sinto saturada com o coronavírus, mas tive que me isolar porque preciso preservar os meus pais, que são idosos e hipertensos. Em janeiro do ano passado eles pegaram Covid e, graças a Deus, se recuperaram, mas não quero que passem pelo que enfrentaram tudo de novo e corram risco novamente. Então a gente se sacrifica, com a saudade e tudo”, finalizou.
O prefeito de Franca Alexandre Ferreira usou as redes sociais para alertar que a cidade comprou há alguns dias mais de 24 mil testes, para serem usados na rede pública, mas eles estão escassos e não chegaram na cidade. “O pronto socorro e as três unidades básicas de saúde exclusivas para a Covid-19, estão atendendo dois mil pacientes diariamente. Nós estamos comprando mas não estamos recebendo os testes, essa escassez prejudica a entrega”, afirmou.
Ferreira destacou ainda que a rede particular de saúde já havia informado que diminuiria a disponibilidade de testes, que seriam feitos em pacientes com sintomas mais graves, ou seja, uma seletividade maior. Isso fez com que pacientes com plano de saúde, migrassem para a rede pública comprometendo o estoque de material. “Já estamos com dificuldades de receber medicamentos dos laboratórios por falta de produtos. Temos contrato, temos licitação, temos dinheiro para comprar e as empresas não conseguem nos entregar os medicamentos. Discutimos novamente com o estado a quem compete o atendimento de leitos de enfermaria e UTI. A responsabilidade de leitos é do estado e já mostramos a necessidade de abertura na cidade e na região”, concluiu.