Fernando Lima
IPTU, IPVA, material escolar, reajustes e débitos de dezembro, a conta não fecha. Mesmo com tudo na ponta do lápis é necessário suar a camisa e fazer praticamente um contorcionismo para dar conta de tudo. Ainda assim o economista Adnan Jebailey garantiu que com planejamento e estratégias, é possível sair no azul em janeiro.
“É possível, até porque essas contas que surgem em janeiro são negociáveis, parceláveis sem acarretar juros ao consumidor, como é o caso do IPVA e do IPTU. São dívidas que você pode parcelar e pagar ao longo desse primeiro semestre de 2022. Não são dívidas que são muito engessadas que tem que pagar à vista. Então dá tranquilo pra fechar no azul. Para isso é preciso definir prioridades, quanto você tem de dinheiro na sua conta? Essa é a primeira pergunta”, explicou.
Jebailey destacou que pouco dinheiro guardado é quando você tem uma quantia, mas se der qualquer emergência você vai precisar sacar aquele dinheiro para gastar. “Quando se tem muito dinheiro guardado é quando você tem uma quantidade suficiente na conta para se acontecer alguma emergência você sacar uma parte e ainda sobrar dinheiro pra você gastar depois. Então essa dicotomia que existe aí”.
O economista explicou que a partir desta análise é que se parte para os itens a serem pagos. Ele conta que o desconto de 9% em janeiro para o IPVA a vista compensa, mas deixar para quitar a vista em fevereiro já não é positivo, isso porque o desconto de 5% é o mesmo caso fosse parcelado. “O IPVA só compensa a vista se for pago em janeiro. Se você tiver uma frota de carro muito grande, aí sim o desconto no final das contas sai. Mas pra quem tem apenas um carro, que é a realidade da maioria, aí não compensa pagar à vista. Idem ao caso do IPTU, também você tem um desconto, pagamento à vista, de dez por cento em janeiro, no caso de Franca especificamente. E de cinco por cento no pagamento de fevereiro.
Na avaliação de Adnan no caso do material escolar o pagamento a vista é a melhor opção, isso porque as últimas pesquisas do Procon, apontaram que a diferença de preços entre papelarias pode chegar a até 150%. “Então você tem que ter o dinheiro em mãos pra poder pesquisar os preços e pagar da melhor maneira. Se por exemplo comprar o material escolar e pagar parcelado no cartão de crédito, para isso tem que fazer uma compra grande num único estabelecimento, o que pode acabar resultando em prejuízo”.
Sobre o 13°, Adnan explicou que ele seria uma boa opção para pagar essas contas, mas a maioria não tem mais essa quantia. “Se sobrou depois do natal e do ano novo, você é um soldado muito valente, aí sim você pode utilizar para pagar as contas, mas tente canalizar ele para o material escolar, se você tem filhos obviamente, senão aí a opção paga o IPTU já que ele tem um percentual de desconto maior do que o IPVA”.
Ao que tudo indica a inflação vai continuar alta em 2022, isso quer dizer que todos os preços vão continuar subindo, mas o IPTU e o IPVA são parcelas fixas, são pré-determinadas isso significa que a inflação não vai ter nenhuma influência sobre essas parcelas. “No caso do material escolar pode preparar o bolso porque a inflação vai impactar sim na na compra do material escolar, porque a definição técnica de inflação é o aumento contínuo e generalizado de todos os preços, ou seja, tudo sobe o tempo todo, o material escolar também sobe”.
Mesmo com todas as contas o economista avalia que pedir empréstimos não é uma boa opção, já que neste ano os juros vão continuar altos. “Não vai ser um ano de você comprar a sua casa financiada e nem tirar seu carro financiado. A taxa básica de juros está alta, vai subir e deve chegar a dois dígitos em 2022. Quando a taxa básica de juros sobe, todos os juros relativos da economia também sobem. Então pedir empréstimo está ficando cada vez mais caro, cheque especial mais caro, rotativo do cartão mais caro, todos os tipos de empréstimo de tomada de dinheiro com os bancos estão ficando cada vez mais caros”.