Fernando Lima
Se tem uma coisa que dezembro sempre traz para gente, além de boas lembranças, são boas histórias, e é justamente isso que você vai conferir nesta edição especial de natal. O Norivaldo dos Reis Nascimento, é padeiro e sempre sonhou em se vestir de Papai Noel, como um sonho de criança mesmo.
Já adulto ele conseguiu realizar esse sonho, mas foi além, se tornou voluntário e entrega presentes para crianças que enfrentam o câncer e fazem tratamento em outros hospitais. Em 2018 o Norivaldo teve que enfrentar uma batalha contra o câncer, foi justamente no trabalho voluntário que ele encontrou forças para travar essa batalha.
Hoje felizmente ele já está curado e faz acompanhamento médico de perto. Confira o que o Norivaldo contou para gente!
Norivaldo Reis: Era um sonho de criança me vestir de Papai Noel. Eu trabalhava em um supermercado e eles sempre faziam esse trabalho no Natal, de vestir um funcionário de Papai Noel. Como eu já tinha vontade conversei com a coordenadora de eventos e ela me deu a oportunidade, então foi quando eu comecei. Eles distribuíam alguns comes e bebes para as pessoas além de distribuir alguns brinquedos. Então quando a gente fazia essa chegada lá na loja você contava mais ou menos duzentas crianças no pátio do local, então tudo começou lá no supermercado. Um dia eu estava aqui em casa e pensando em algo que pudesse fazer para atender mais crianças. Foi aí que eu tomei a decisão de comemorar o meu aniversário e tive a ideia de pedir brinquedos de presentes, ao invés do pessoal trazer roupa, bermuda, chinelo, camiseta, calça, perfume, desodorante, essas coisas assim, eu pedi para o pessoal trazer brinquedos. No primeiro ano que nós fizemos aqui na minha casa vieram aproximadamente quarenta pessoas e arrecadamos muitos brinquedos. Eu resolvi ir lá no Hospital Santa Casa, conversei com a coordenadora, falei para ela dessa vontade que a gente tinha de participar e fazer a distribuição lá na unidade. Já naquele ano mesmo eu comecei a fazer para o Hospital do Câncer também. Chegando lá encontrei um rapaz que eu não conhecia ele, e passamos a ser amigos a partir daquele dia. Ele estava se vestindo de palhaço para poder fazer a festinha para as crianças no mês de outubro, foi quando ele me convidou para participar com ele. No começo eu não queria porque eu pensava que não dava muito certo para mim, meu negócio era mesmo ser Papai Noel. Acabei aceitando e fizemos uma dupla, ele é o Paçoca eu sou o Amendoim.
N.R.- Há mais ou menos uns onze anos começamos com essa festa. Em 2018 foi quando eu descobri que estava com câncer, e mesmo assim naquele ano nós ainda fizemos a festa. No ano passado a gente não conseguiu fazer no Hospital do Câncer porque não foi liberado, a pandemia estava muito forte.
N.R.- Eu fiz algumas festinhas em creches, fizemos a entrega de presentes na creche do aeroporto, os brinquedos entregues lá foram doados por patrocinadores. Dia 18 eu fui lá na Santa Casa, fizemos essa doação de brinquedos que arrecadamos, a gente passou ali dentro do hospital, pessoal todo filmando, tirando foto, querendo ver o Papai Noel, a gente passou nos quartos, na maternidade, foi um trabalho muito legal. No dia 22 também entregamos os presentes para os atendidos do Hospital do Câncer.
N.R.- A gente sempre passa por experiências marcantes, que ficam gravadas no coração. Em 2018 nós estávamos na Santa Casa, o coral estava na recepção e a gente já tinha passado por todos os leitos. De repente uma criança lá da da rua, veio correndo, atravessou a faixa de pedestre e se agarrou nas minhas pernas. Eu olhei aquilo assim, abaixei e dei um abraço nessa criança. Ela estava tão emocionada de ver o Papai Noel que começou a chorar, ela não me soltava para nada. Eu deixei ela acalmar, dei um tempinho abraçado, fui conversando com ela e perguntei se já tinha pedido presente. Ela me disse que não queria presente que só queria dar um abraço no Papai Noel. Eu tinha brinquedo ainda, peguei e dei para ela, ela não sabia se ria ou se chorava! Foi uma cena que me tocou muito.
Uma outra cena também que foi num outro que me tocou bastante, foi quando nós estávamos passando nos leitos da Santa Casa e uma senhorinha que se tratava no Allan Kardec me viu de Papai Noel. Eu não sei nem falar a reação que ela teve, ela chorava, ria, abraçava, e me pediu uma boneca e eu prometi uma boneca para ela. Foi um fato tão interessante porque eu não perguntei o nome dela, eu não prestei atenção no número do quarto que ela estava, e depois eu fui lá para poder levar. Eu saí procurando e eles não queriam deixar eu entrar, eu já não estava mais vestido de Papai Noel e ela não sabia, eu não sabia nome, não sabia o número do quarto, a gente não sabia como íamos achar. Me deixaram entrar e eu acabei achando ela. Falei que o Papai Noel pediu para eu levar o presente porque ele estava visitando outras crianças. Se você ver a alegria dessa mulher, dessa senhorinha… só quem passa por essa experiência que sabe viu?
N.R.- Quando eu descobri que estava com esse problema do câncer, uma das voluntárias do Hospital do Câncer chegou para mim e me disse que eu já ajudei tantas pessoas, crianças, idosos, ela falou que Deus estava me dando a oportunidade de conhecer o outro lado, o lado que eu estava ajudando. Isso me marcou muito também, eu entendi que Ele estava me usando, me preparando para passar por aquele processo que passei.
N.R.- Quero dizer para que nós não esqueçamos do verdadeiro aniversariante do dia 25 de dezembro. Que Jesus possa nascer no coração de cada um, que o natal é vida, no natal veio ao mundo o rei dos reis. Quero desejar a todos um feliz natal com muita paz e com muita saúde, que as pessoas possam ser mais humanas!