Fernando Lima
A Prefeitura de Franca e a família da aposentada Odete Batista de Carvalho, divergem sobre informações a respeito do atendimento prestado para a idosa no Pronto Socorro Municipal Doutor Álvaro Azzuz. A nora da vítima, Luzimar Costa Mathias, contou que solicitou uma maca para os funcionários para que a paciente pudesse repousar, o que segundo ela, foi negado, os atendentes afirmaram que onde ela estava não havia maca nem mesmo cama. Foi exatamente por isso que Odete pediu para ir até o banheiro de pessoas com deficiência para que pudesse se apoiar nos equipamentos, e assim, aliviar um pouco a dor intensa que sentia.
Ontem o Jornal Verdade cobrou um posicionamento da Prefeitura sobre o assunto, em um dos trechos a assessoria afirma que “a paciente foi colocada no toilette da unidade pela própria acompanhante, que não solicitou auxílio à equipe do Pronto-Socorro. Reiteramos que, em momento algum, a paciente foi colocada no toilette, por qualquer integrante da equipe técnica do Pronto-Socorro”.
As informações são divergentes, já que enquanto Luzimar afirma que pediu auxílio, a administração da unidade de saúde diz o contrário, que não foi solicitado.
Foi na tarde desta quarta-feira (1), que a aposentada foi sepultada no cemitério Jardim das Oliveiras. No velório dela, no São Vicente, o clima era de consternação entre os familiares. “Eu vou levar um tempo para assimilar que isso aconteceu. Não dá para acreditar que foi com a dona Odete, ela era uma pessoa simples, de bem com a vida, ela estava muito bem e muito feliz. Não tinha ninguém que fosse na casa dela pedir ajuda, que ela não ajudasse. Hoje vamos sepultá-la e dói pensar que é por que não teve o atendimento que merecia. Ela tinha que ter sido atendida com prioridade, mas atenderam 10 pessoas na frente dela. É inexplicável o que estamos sentido, é revolta misturada com dor, inconformismo”, desabafou Luzimar, que esteve o tempo todo com Odete no hospital.
O filho da aposentada, Whashington Matias, contou que a manhã desta quarta-feira foi dia de resolver burocracias para o sepultamento da mãe dele. Ainda anestesiado com a situação, o autônomo garantiu que não pretende deixar que a mãe dele seja só mais um caso. “Não vai ser, não vamos deixar. A gente vai procurar justiça, queremos mostrar o que aconteceu para que ela não seja só mais um caso e o pior, que ninguém mais tenha que passar pelo que ela passou, foi algo desumano”, disse.
Luzimar desabafou ainda que o mês de dezembro era cheio de planos para a família, mas que agora eles serão mudados. “Acabou nosso dezembro, nossa vida. Tínhamos planos, natal, ano novo, agora não, mudou tudo. Penso que poderia ter sido totalmente diferente, se tivessem feito valer o direito dela de ter um atendimento adequado”, finalizou.
O Jornal Verdade mostrou na sua última edição o calvário que Odete Mathias enfrentou após procurar atendimento no P.S. Álvaro Azzuz, na zona norte da cidade na última segunda-feira (29). Ela deu entrada na unidade por volta das 15h30, e mesmo com um quadro de dor intensa não foi atendida com prioridade, tinham 10 pessoas na frente dela. “Eu pedi, expliquei que ela era idosa e que precisava de ser atendida mais rápido, que o quadro dela era grave, mas não fui ouvida”, contou Luzimar, a nora que acompanhou a idosa na unidade.
Luzimar disse ainda que enquanto aguardava atendimento, pediu uma maca para que a sogra pudesse deitar para aliviar um pouco a dor que sentia, mas não foi atendida, o que gerou ainda mais revolta nela. “Foi neste período que ela me pediu pra leva-la para o banheiro de pessoas com deficiência, já que lá ela poderia ficar com as pernas para cima, apoiando naqueles equipamentos, foi só assim que ela aguentou suportar a dor. Chegou uma hora em que ela perdeu os sentidos de tanta dor que estava sentindo. Foi muito difícil ver ela morrendo aos poucos e ninguém socorrendo, eu pedia e gritava por socorro, mas não era atendida”.
A mulher destacou ainda que por volta das 18h, Odete estava na sala de raio-x onde o quadro dela seria avaliado. “Meia noite mais ou menos eles me disseram que ela teria que ser transferida para a Santa Casa já que o quadro dela era grave. Mas era exatamente isso que eu estava dizendo desde quando chegamos, que o quadro dela era grave, mas eles não me ouviam. Infelizmente a vaga saiu só 5h da manhã. Neste meio tempo eles davam medicamentos, mas a sensação que a gente tinha era a de que era um tratamento paliativo, já que a dor dela não passava. Não dá pra explicar o que a minha sogra viveu. Não dá pra acreditar que ela morreu nesta situação, ficando dentro de um banheiro com as pernas para cima, sem qualquer tipo de cuidado”, desabafou aos prantos a autônoma.
A reportagem questionou a Prefeitura sobre o assunto, eles enviaram uma nota dizendo que o caso será apurado. Confira:
“A Secretaria de Saúde informa que a paciente Odete Batista de Carvalho deu entrada no Pronto-Socorro “Dr. Álvaro Azzuz”, no dia 29, às 15h38 e às 15h45 passou por acolhimento. Na unidade, recebeu atendimento médico e realizou exames complementares, sendo encaminhada através do Sistema Cross à Santa Casa de Franca.
Comunica que a paciente foi colocada no toilette da unidade pela própria acompanhante, que não solicitou auxílio à equipe do Pronto-Socorro.
Reiteramos que, em momento algum, a paciente foi colocada no toilette, por qualquer integrante da equipe técnica do Pronto-Socorro.
Informa também que foi instaurado um processo administrativo para apuração detalhada do caso, tanto na Corregedoria Municipal, quanto no Conselho de Ética da Secretaria de Saúde.”