Fernando Lima
A manhã desta sexta-feira foi de muito trabalho para funcionários de uma empresa que foi contratada para fazer a limpeza do apartamento onde Thiago Medeiros, de 37 anos, foi encontrado morto nos braços da mãe dele, uma professora aposentada de 72 anos. O local ainda exala um cheiro muito forte, mesmo depois de horas da retirada do corpo.
“Tem muito lixo e objetos amontoados aqui. Eu sou amigo da família, eles me contrataram para fazer este trabalho porque tinha que ser alguém de confiança. A gente ainda não entendeu muito bem o que foi que aconteceu, mas tive contato com ele no domingo. Foi um susto mesmo”, contou o funcionário que preferiu não se identificar. Sendo assim a possibilidade de ele estar morto há mais de uma semana está praticamente descartada.
Ainda de acordo com ele, a mulher está internada e passando por atendimento médico. O apartamento é pequeno e muito simples, mas a quantidade de objetos amontoados por lá impressiona. “Não imaginamos que estaria assim, acho que há muito tempo ninguém entrava aqui, já que eles eram muito reservados”, finalizou o funcionário, que levou uma caminhonete para fazer a retirada dos objetos que foram colocados em sacos de lixo.
Vizinha da família, Neuza Rodrigues contou que desde domingo a professora aposentada não abria a janela do quarto, o que lhe causou estranheza. Segundo ela, o condomínio todo está em choque com o que aconteceu. “Nunca imaginei que um dia isso poderia acontecer. Aqui da janela da minha sala eu fico de frente com a janela do quarto onde tudo aconteceu. Todos os dias praticamente ela abria e nós nos cumprimentávamos, e desde o domingo isso não acontecia. Eu não cheguei a sentir cheiro, porque estamos em blocos diferentes, mas quando soube da notícia, me deu uma tristeza muito grande por eles. É muito triste tudo isso”, relatou Neuza.
Tudo teve início na quarta-feira (24) quando vizinhos acionaram a Polícia Militar por conta do mau cheiro vindo do apartamento da professora. Eles já haviam tentado contato com ela, mas sem respostas. No local, os militares bateram na porta, mas não tiveram resposta e anunciaram que iriam arrombar, foi quando a idosa respondeu. “Ela disse que não abriria a porta e que estava tudo bem lá. Foi aí que os policiais arrombaram”, contou a vizinha.
No apartamento a mulher estava deitada na cama abraçada com o filho morto, já em avançado estado de decomposição. Ela foi levada para hospital aparentemente em estado de choque, o corpo foi deixado na cama enquanto a perícia realizava o trabalho de praxe.
Em seguida, o corpo de Thiago, que era ex-policial, foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Franca, e liberado para o sepultamento. Ele foi enterrado no Jardim das Oliveiras. Segundo as investigações, a hipótese de crime está praticamente descartada, a principal suspeita é a de que o homem estivesse doente, faleceu e a mãe, por apresentar transtornos mentais, não soube como agir.