A taxa de mortalidade infantil na região de Franca foi de 9,46 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos em 2020, segundo dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). O índice é menor que o estadual, que foi de 9,75, a menor taxa da história. Diferente do Estado, a Regional de Franca já registrou índices menores, como a de 8,26 óbitos no ano de 2019, mas ainda assim o número deve ser exaltado.
Os dados ajudam a avaliar e nortear as políticas públicas e programas de assistência a gestantes e crianças e refletem a consistência da rede de saúde existente em Franca e os avanços conquistados a partir dos investimentos na prevenção de doenças.
O pediatra Homero Rosa Júnior, médico da Vigilância Epidemiológica de Franca, afirma que a melhora nos índices de mortalidade infantil deve ser comemorada. Ele acredita que a taxa registrada no ano passado reflete o momento de isolamento vivido pela população por causa da pandemia da Covid-19. “2020 foi um ano de muita restrição de circulação devido à pandemia, então isso fez com que as crianças se expusessem muito menos, elas não estavam na escola, quase não saíam de casa, então isso fez com que as crianças tivessem menos risco de transmissão de doenças, logicamente contribui para uma série de doenças que não aconteceram, como pneumonias graves, que geram internações e até óbitos”, disse ele.
Mas, Homero Rosa Júnior destaca que de forma geral a região realmente vem apresentando índices muito bons de diminuição da mortalidade entre crianças e isso ocorre graças a programas de assistência à infância, o acesso universal às consultas médicas, o trabalho do Acar (Ambulatório de Criança de Alto Risco) em Franca para atendimento a crianças com problemas de saúde ou prematuridade extrema.
A atenção durante o período da gestação também reflete na redução de óbitos na infância. Gestantes de Franca e cidades vizinhas contam com assistência do Agar, programa para atendimento a gestantes de alto risco, mantido pela Prefeitura. “O Agar ajuda as gestantes a terem uma condução melhor da gestação e a tentarem chegar o mais próximo possível de um parto sem complicações. É importante destacar também a excelente assistência de neonatologistas e berçaristas que trabalham tanto na Santa Casa como no Hospital São Joaquim e São Francisco, e médicos bastante experientes na UTI infantil”.
A ampla cobertura vacinal das crianças é outro fator primordial para controlar a mortalidade infantil, além do saneamento básico, consumo de água bem tratada, ausência de parasitoses intestinais e redução dos casos de prematuridade. “Logicamente que, quanto mais prematuros, mais chances de óbitos. Por isso que antigamente não sobreviviam e tínhamos óbitos mais evidentes e números mais significativos que agora. Então, são vários fatores que se somam para melhorar a taxa de mortalidade infantil”, afirmou Homero.
Para se ter ideia, em 2000, segundo dados do Seade, o índice de mortalidade na infância na região de Franca foi de 19,46.
Lucas Souza, secretário de Saúde de Franca, reconhece que o índice vem apresentando melhora no país e ressalta que para o número seja cada vez melhor “é fundamental a articulação de políticas públicas intersetoriais e ações como aumentar o acesso ao saneamento básico, melhoria na atenção do pré-natal da gestante, ampliação das campanhas de conscientização da importância da vacinação e investimento em educação e orientação são políticas públicas que visam assistir a população em situação de vulnerabilidade, que podem contribuir significativamente para melhoria da taxa de mortalidade infantil”.