A Polícia Civil de Ribeirão Preto vai ouvir na próxima sexta-feira (5), o dono da escola “Real Life”, que prestava o serviço de treinamento para os nove Bombeiros Civis, que morreram após o teto da “Gruta Duas Bocas” desabar na madrugada de domingo (31), em Altinópolis.
A princípio o empresário Sebastião Abreu, seria ouvido no início da semana, mas a defesa dele pediu que o depoimento fosse adiado, o que foi atendido pelo delegado Rodrigo Salvino, chefe das investigações.
O inquérito da P.C. investiga principalmente se houve negligência e se o acidente poderia ter sido evitado, já que as condições climáticas eram desfavoráveis quando o treinamento teve início, ainda na noite de sábado, horas antes da tragédia. O inquérito deve ficar pronto em até 30 dias, e testemunhas, sobreviventes também devem ser ouvidos.
Em nota a empresa “Real Life”, informou que tinha realizado uma análise de risco da gruta no dia 26 de outubro, ou seja, cinco dias antes do acidente que terminou com as mortes.
Ainda segundo a empresa, no sábado (30), por volta das 17h, os bombeiros civis e os instrutores chegaram até a gruta, momento em que não havia chuva e que por isso foi realizada uma nova análise de risco para entrar no local.
A “Real Life” esclareceu também que o treinamento não era feito dentro da gruta totalmente. “No fatídico dia por volta das 20h, começou a chover muito forte, momento no qual os instrutores decidiram por cancelar o treinamento, pois era necessário esperar a chuva passar para poder subir com os equipamentos. Assim, decidiram descansar. Por volta das 00:40h, a gruta cedeu em cima dos bombeiros. A empresa ficou sabendo por volta das 01:40h da madrugada do dia 31, através de um sobrevivente, Rafael Sordi que é instrutor de Ribeirão Preto, momento em que a Real Life Treinamentos, prestou toda a assistência junto ao auxílio das vítimas e familiares”, informou.
A empresa encerrou a nota afirmando que está realizando sindicância interna para apurar eventuais erros e se coloca a disposição da família e dos órgãos responsáveis para ajudar a elucidar o ocorrido, bem como está prestando auxílio aos familiares dos envolvidos.
Desde o dia do acidente a Prefeitura de Altinópolis interditou as grutas da região, entre elas as principais, a do Itambé e também a Duas Bocas. De acordo com o comunicado foi solicitado ao Instituto de Pesquisa Tecnológica e Defesa Civil do Estado de São Paulo, uma vistoria técnica no local, a fim de garantir a segurança de todos. Apesar do comunicado, ainda não há uma data específica para que esta vistoria aconteça e nem para que as visitas voltem a ser realizadas.
Foi na madrugada de domingo (31), que o teto da Gruta Duas Bocas desabou durante treinamento de bombeiros civis, a maioria deles de Batatais. Segundo os bombeiros, 10 vítimas ficaram soterradas, nove delas morreram antes da chegada do socorro. Dois sobreviventes seguem internados.
O resgate das vítimas durou o domingo inteiro, a situação repercutiu no país todo e o velório e enterro das vítimas causou luto e comoção em toda a região.
Dos nove mortos, seis foram enterrados em Batatais, outra vítima em Altinópolis, uma em Sales Oliveira, e a última em Minas Gerais, na cidade de Monte Santo de Minas.