Fernando Lima
Moradores e comerciantes das imediações da Hélio Palermo e Antônio Barbosa Filho, em Franca, convivem diariamente com o medo das enchentes. O período de chuva que segue até o ano que vem é sempre cheio de incertezas. Com medo desta situação, quem mora ou trabalha nas marginais, já teve que se adaptar com madeiras e peças de aço que tentam barrar a água.
O Marcelo Roberto Pignatari, está há 26 anos na Hélio Palermo, na altura da zona norte de Franca, o empresário é dono de uma loja de materiais de produtos hospitalares. Para ele a sensação é a de abandono do poder público, já que nunca é ouvido pela administração municipal. “Já enfrentei enchentes aqui que nem lembro mais. Uma das vezes a água subiu tanto que arrombou o portão e entrou na loja, eu tive uma perda de R$30 mil, o prejuízo foi todo meu”, relatou.
Ao falar sobre o assunto o Marcelo não esconde a revolta que sente, já que paga os impostos em dia e não tem retorno. Todos os anos ele paga IPTU de cerca de R$ 1.200, além de várias outras taxas para se manter no endereço. “Eles sempre dizem a mesma coisa, que precisa de uma verba muito grande para isso, que tem que esperar mandato começar para colocar no orçamento e fazer uma obra deste tamanho, mas no fundo sinto que ninguém está nem aí para gente. Ninguém se mexe e ficamos aqui sujeitos a enchentes cada vez piores, já que a cidade continua crescendo e a água do município todo vem para cá. Essa é a nossa situação”, desabafou.
O Jorge Lúcio Pereira também está instalado na Hélio Palermo, a loja dele já sofreu diversas vezes com o problema das enchentes. Cansado e com medo da situação, o empresário teve que fazer um investimento para evitar prejuízos. “Compramos uma barra de aço, que fica instalada na porta. Ela segura a água quando sobe, mas ainda assim é longe do ideal essa situação porque dá muito trabalho colocar ela na porta e tirar todo santo dia. Já consultamos um especialista em arquitetura, ele disse que apenas uma obra de alargamento conseguiria resolver esse problema, já que acontece uma espécie de afunilamento nas pontes. Enfim, eu fico revoltado de pensar que nós temos que nos virar com tudo, enquanto pagamos altos impostos para ficarmos aqui”.
Pereira destacou ainda que já pensou em mudar de endereço, mas tem receio de ter ainda mais prejuízos. “Já me perguntaram, mas infelizmente não é fácil assim sair daqui. Meu ponto já é tradicional e meus clientes são fieis, não posso simplesmente fazer isso, apesar de querer as vezes. O certo mesmo era que nossos impostos fossem utilizados para resolver isso, por enquanto temos apenas prejuízos financeiros, mas imagina se morre alguém? É muito complicado”, finalizou.
O Jornal Verdade pediu um posicionamento para a Prefeitura de Franca sobre o assunto, na tarde desta quinta-feira (21), o prefeito Alexandre Ferreira realizou uma reunião onde falou a respeito de medidas para enfrentar as enchentes.
O plano de contingência é composto por quatro etapas, sendo preventiva, socorro, assistencial e recuperativa. Segundo a Prefeitura, a primeira fase que contempla ações preventivas é realizada, constantemente, pelas equipes das secretarias de Infraestrutura e Meio Ambiente, com a execução dos serviços de drenagem, limpeza de ramais de galerias, reparos e limpeza em bocas de lobo, galerias pluviais, além da manutenção e limpeza dos córregos dos Bagres, Cubatão e Espraiado. Também estão em andamento, as obras de drenagem na Vila Nicácio, cujos serviços estão sendo executados entre as ruas Gonçalves Dias e Torquato Caleiro, envolvendo investimentos de R$ 380 mil.
Durante a apresentação, o prefeito também comentou sobre alguns pontos da cidade que devem receber atenção especial, principalmente, nos dias de chuvas intensas, como as avenidas que margeiam os córregos.
Para a etapa recuperativa, Alexandre Ferreira informou que são necessárias obras e serviços de infraestrutura, drenagem e canalização em vários locais da cidade, que demandam a liberação de licenças e alto investimento, cujos recursos deverão ser pleiteados juntos aos Governos Estadual e Federal. Comentou que já estão em andamento, licitações para a realização das obras de recuperação de áreas degradadas e construção de contenção do canal, do complexo Engenho Queimado, na Região Oeste da cidade, com investimentos superiores a R$ 5,7 milhões.