Nelise Luques
Um passeio em família por matas dentro da cidade pode ajudar em uma importante – e essencial – ação para preservar as chamadas Apps (Áreas de Preservação Ambiental) e as nascentes de rios que existem nelas. Mais conhecidos como minas, esses cursos d`água encontrados no perímetro urbano alimentam rios importantes, como o Canoas, Pouso Alegre e Ribeirão das Onças, que abastecem Franca.
O problema é que essas nascentes não são preservadas da maneira que deveriam. A grave crise hídrica enfrentada atualmente só reforça a urgência que existe de se reverter esse quadro.
Acompanhado dos dois filhos, o advogado Adauto Casanova costuma visitar as áreas verdes e cursos d`água, que formam até cachoeiras no interior dos bairros, e tem encontrado cenários preocupantes. Descarte de lixo e dejetos de esgoto são facilmente flagrados em locais como Jardim Petráglia (atrás da Unesp), Éden, Brasilândia, Paulistano e Planalto. “Essas minas são nascedouros de rios maiores que consequentemente vão abastecer a cidade. Mas existe um descaso muito grande. A própria expansão imobiliária desenfreada, sem que os entes públicos consigam discipliná-la, faz a cidade ir suplantando essas nascentes e rios”, afirmou o advogado.
Diante da situação que encontrou, Adauto resolveu acionar autoridades e entidades para tentar recuperar e proteger as Apps. Os primeiros passos para montar uma força-tarefa com tal “missão” já começaram. A proposta é conseguir articular representantes da Prefeitura, Câmara Municipal, Ministério Público Estadual, Guarda Civil Municipal, Cetesb, Sabesp, ONGs e comunidade.
O vereador Ronaldo Ronei de Carvalho, que integra a Comissão de Defesa do Meio Ambiente e Animais, ao lado de Lindsay Cardoso e Daniel Bassi, e é agente de saneamento ambiental da Sabesp, é um dos apoiadores da ideia da força-tarefa. Segundo ele, os principais problemas nas nascentes já foram identificados e outras pessoas convidadas para ajudar com as ações de revegetação e preservação. Também está previsto realizar o mapeamento das nascentes no perímetro urbano e mutirões de limpeza.
“Muitas pessoas não têm noção que essas minas são nascentes que vertem para córregos menores, ribeirões até os rios. A degradação é extremamente prejudicial e impacta na crise hídrica que estamos passando. Os próprios moradores jogam lixo nas Apps, então precisamos trabalhar a questão comportamental. Acredito também que ações punitivas, com efeito pedagógico, mostrando que atitudes erradas podem ter consequências, ajudam a reduzir os problemas”, afirmou o vereador Ronaldo, ao destacar a importância de apoiar o Poder Público nesse trabalho.
No Jardim Palma, uma extensa área verde possui três minas d’água, próximas à Escola Municipal Professora Djanira Pimentel Leandro, que está desativada e abandonada. No local, há muito lixo jogado na mata. O designer de calçados aposentado Sebastião Tomé de Souza, 59, é morador do bairro e tenta impedir o descarte ilegal de resíduos, flagrado com frequência. “Eles chegam de carro, de carroça, eu até coloquei uma câmera para vigiar. Eu brigo direto com o pessoal que joga lixo aqui”.
Contar com apoio dos moradores para inibir depósito de lixo e ajudar a conservar matas e nascentes também faz parte das medidas da força-tarefa.

O advogado Adauto Casanova costuma percorrer áreas verdes e nascentes do Rio Canoas e Ribeirão das Onças, que abastecem Franca

Restos de couro e outros resíduos poluem margens de nascente no Jardim Palma
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Precisamos todos agir contra descarte de lixos e restos de materiais de construção nos barrancos de nascentes e cursos de águas