Todo mundo conhece alguém que já foi vítima de uma tentativa de golpe pelo WhatsApp, em alguns casos a pessoa age rápido e evita maiores danos, mas em outros os criminosos levam a melhor. A forma de agir é sempre a mesma, conseguindo o código de segurança, o que resulta na clonagem do número.
“Mandaram uma mensagem para minha mãe, só que para o azar deles ela estava na minha frente, de imediato já soube que era golpe pois tinha recebido uma mensagem igual há pouco tempo do meu cunhado, dizendo que estava no meio da estrada com o carro estragado e precisava de um PIX, na hora me dei conta que era golpe” contou Marina Torres, que é gerente de E-commerce.
“Eu sinceramente dei risada e pedi para minha mãe dar corda e ela deu, logo eles já não se manifestaram mais. Não fiz BO, apenas informei pelas redes sociais que estavam se passando por mim”.
O advogado especialista em Direito Digital, Carlos Soares, que também faz parte da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes de Alta Tecnologia, da OAB de Franca, afirmou ao Jornal Verdade que percebeu um aumento significativo nesse tipo de golpe nos últimos anos.
“Pesquisas apontam que mais de 5 milhões de brasileiros já caíram no golpe da clonagem do WhatsApp. Basicamente ele é um golpe que usa a engenharia social para convencer a vítima a passar o código de segurança, o criminoso não invade o sistema do celular, basicamente a vítima iludida por tudo que é apresentado, acaba enviando voluntariamente. Uma vez que ela passa esse código de seis dígitos ele habilita em um novo aparelho e acaba tendo acesso a todos os contatos, a partir disso pede empréstimos, pede resgate também”, explicou.
Ainda na avaliação do especialista, na maioria das vezes convites com links são oferecidos para a vítima, recentemente criminosos estão se passando por agentes do Ministério da Saúde, que fazem pesquisa sobre a Covid-19. “Ao final da ligação é enviado o código e a pessoa acaba passando este mesmo para o criminoso facilitando toda essa empreitada”.
Carlos Soares ressaltou que a melhor forma de garantir a segurança contra os golpes é nunca compartilhar o código de seis dígitos do WhatsApp e não clicar em links. “Além disso o aplicativo também dispõe da autenticação em duas etapas, então as pessoas podem se proteger habilitando. Basta ir nas configurações do aplicativo e após habilitado, mesmo que o criminoso tenha acesso a este código, ele não vai conseguir acesso aos contatos já que vai ser barrado nessa autenticação”.
Ao contrário do que muitos imaginam, não são apenas as pessoas mais velhas que são vítimas deste tipo de crime, Carlos contou que houve um aumento em casos de pessoas que possuem acesso à informação e são instruídas. “Isso está ligado ao poder de convencimento que o criminoso tem em desfavor da vítima, ele conta uma história, narra uma situação, oferece um benefício para a vítima que ao final acaba compartilhando o código, imaginando que vai ter um benefício. O criminoso acaba enxergando alguma vulnerabilidade e se aproveita disso”.
O primeiro passo ao constatar que teve o WhatsApp clonado é entrar em contato com o suporte do aplicativo através de um e-mail (support@whatsapp.com), informando a situação e colocando no título o seu número de telefone e o DDD, no campo do texto do e-mail informando e pedindo o bloqueio imediato. “Essa é de fato a melhor maneira de reduzir os prejuízos”, explicou Carlos, que ressaltou ainda que a operadora de telefonia, ou o WhatsApp, dificilmente são responsabilizados judicialmente já que o próprio usuário enviou o código de seis dígitos, mas após o envio do e-mail, se houver demora por parte do aplicativo para o bloqueio, há entendimentos da Justiça sobre reparação dos prejuízos.