Mesmo com as obras prontas a creche da Vila Isabel em Franca, permanece de portas fechadas, a situação tem causado um grande impasse para os pais de mais de 200 crianças que são atendidas. O muro do local desabou em fevereiro de 2019 durante uma forte chuva que atingiu Franca, mesmo assim as atividades permaneceram até o final daquele ano, com tapumes no local. Já em janeiro de 2020, os pais foram avisados que por determinação do Ministério Público, o prédio todo deveria ser reformado e as crianças seriam transferidas para uma outra unidade.
“Mandaram nossos filhos para uma creche no residencial Paraíso, na zona sul de Franca. É muito longe daqui, a Prefeitura até disponibilizou um ônibus para levar e trazer as crianças, mas não tem segurança e apenas uma monitora leva todos eles, é muito perigoso, eu não sinto segura de deixar meu filho ir”, contou a jornalista Isadora Diniz, que tem um filho de 2 anos que frequenta o local. Isadora reforçou também que por conta da situação, tem deixado o filho dela com as avós, mas não é todo dia que ela pode contar com essa ajuda, já que elas também trabalham. “Já cheguei a faltar do trabalho quando não tinha ninguém para olhar meu filho”, finalizou.
A Patrícia Safra é dona de casa e tem dois filhos que frequentam a creche, um de 1 ano e 11 meses, e outro de 4 anos. Por conta da situação, a francana teve que sair do trabalho. “É muito longe daqui até lá e sempre tem só uma monitora. A gente sabe como é criança, agitada, gosta de brincar, de ficar perto do coleguinha então tem que ter alguém sempre de olho, cuidando”.
Safra contou também que não tem qualquer tipo de resposta da Prefeitura de Franca. “A gente sempre liga, sempre questiona para saber o que está acontecendo, para saber se existe previsão de retomar as aulas, mas não temos resposta. Muitas vezes liguei lá e não fui nem mesmo atendida”, finalizou.
Por conta da situação o autônomo David Gabriel Gonçalves, tem dispensado trabalhos já que os horários não batem, ele tem dois filhos na creche, um de 5 e o outro de 2 anos. “Eu trabalho com sapato, mas tenho que estar aqui na entrada e na saída das crianças, se a creche fosse novamente aqui perto de casa nós teríamos alguém para buscar e me ajudar, mas não temos. Nos últimos meses não tenho conseguido tirar nem mesmo um salário mínimo. Quando distribuíram o kit alimentação também mandaram que a gente fosse lá na creche no Paraíso buscar, não temos condições, muita gente acabou ficando sem”, desabafou.
A secretária de Educação de Franca, Márcia Gatti, afirmou que a creche já está com a reforma pronta, porém segue sem as atividades por conta da burocracia. “Falta o A.V.C.B., e outros documentos para a liberação. É um processo muito burocrático, mas já estamos na finalização, daqui a 20 dias começamos a instalar os equipamentos de segurança, como os extintores por exemplo. A previsão é a de que em até um mês e meio, as atividades retomem por lá”, contou.
Sobre a questão de apenas uma monitora para várias crianças, a titular da pasta afirma que a medida está amparada na lei. “As creches estão funcionando com a capacidade reduzida, pela quantidade de crianças que estão no ônibus, uma monitora é o suficiente, isso está na lei e estamos cumprindo adequadamente”, finalizou Márcia.