A pandemia da Covid-19 mudou o modo de pensar sobre muitos assuntos. As mudanças refletiram em vários segmentos, como o de seguros de vida e em grupo (empresariais). Empresas do ramo entrevistadas pelo Verdade confirmam a alta e registram aumento de até 23% nos contratos fechados neste ano em comparação com 2020. A faixa etária, mais recorrente a partir dos 40 anos, ganhou adesão do público bem mais jovem, entre 20 e 30 anos.
Hariane Zaneti Santos Nazatto, assessora de seguros na cooperativa Sicredi Valor Sustentável, atua no ramo de seguros há dez anos e acompanhou a maior demanda pelo produto desde o início da pandemia, em meados de março do ano passado. “Em julho de 2020 notamos um maior índice de contratações. Logo que surgiram os primeiros casos, as pessoas não acreditavam tanto na gravidade da doença e pensavam que realmente era só uma ‘gripezinha’. Mas as estatísticas foram mostrando a sua gravidade e estimularam as pessoas a contratarem um seguro de vida para garantir assistência maior aos familiares se for necessário”.
Na Sicredi e na MAG Seguros, o perfil dos novos segurados mudou. “Com a pandemia, as pessoas mudaram suas visões com relação à morte. Antes, existia um legado cultural e comportamental de a maior parte das pessoas e famílias não investirem parte da própria arrecadação, mesmo que pequena, na sua segurança financeira. Principalmente para os mais jovens, a morte era algo distante de sua realidade e por isso eles não se preocupavam em contratar um seguro de vida. Com o alto número de casos, as pessoas perceberam a importância de se planejarem a longo prazo, pensando em si e suas famílias”, afirmou Eurípedes Ribeiro, gerente de escritório da MAG, que registrou aumento de 17% na busca de seguro de vida no primeiro semestre de 2021 frente ao mesmo período de 2020..
Os seguros contemplam a cobertura em caso de morte e também em vida, por exemplo se a pessoa sofrer um acidente e ficar em situação de invalidez, for vítima de doenças graves, como câncer, esclerose múltipla ou AVC. “A Sicredi trabalha com uma régua de valores entre R$ 10 mil a R$ 2 milhões de cobertura em caso de morte e, quanto mais nova for a pessoa, mais barato. Para exemplificar, uma pessoa de 30 anos que fizer um seguro com R$ 100 mil de cobertura em caso de morte, que será pago ao esposo, incluindo cobertura em casos de invalidez parcial ou total, doenças graves e assistência nutricional, de viagem e residencial, pagará mensalidade de R$ 70 em média”, explicou Hariane.
As seguradoras também registram alta nos contratos em grupo. Segundo a Sicredi, após a pandemia, outros tipos de empresas aderiram a essa modalidade. “Era mais comum atendermos empresas que oferecem maior risco de morte, como as de produtos inflamáveis, metalúrgicas e motoristas, especialmente de transportadores que dirigem muito em rodovias e estão mais sujeitos a acidentes, mas nos últimos meses se tornou comum adesões de restaurantes, padarias”, disse Hariane.

Rodrigo Pires, Eurípedes Rodrigues, Eduardo Gomes, da MAG Seguros, registraram aumento de 17% nos contratos de seguro de vida neste ano em relação a 2020