A semana começou em Franca com o anúncio da Sabesp sobre o racionamento de água na cidade, desde então não se fala em outra coisa por aqui. Ao mesmo tempo as obras inacabadas de captação do Rio Sapucaí, também voltaram aos holofotes, com uma pergunta pertinente: Se elas estivessem prontas, nós estaríamos passando por esta situação?
Para o advogado da área ambiental, Guilherme Gomes, a realidade hoje seria outra. “Quando a obra foi anunciada pelo Governo do Estado em 2010, havia previsão de que o sistema de captação e tratamento de água supriria o abastecimento por mais de trinta anos. Então, juntamente com as capitações já existentes no Rio Canoas e no Ribeirão Pouso Alegre, o sistema do Rio Sapucaí seria um adicional na oferta de água para a população de Franca, o que reduziria o risco de desabastecimento, mesmo em períodos de estiagem”, avaliou.
Ainda de acordo com Gomes, os transtornos são imensos para a população, já que a água é indispensável e essencial, tanto para o consumo humano, de animais e plantas, quanto para os afazeres domésticos. “Quanto aos setores da economia, muitas empresas se utilizam da água como matéria-prima de suas atividades e, com o rodízio, podem sofrer graves prejuízos, justamente em um período já difícil da economia. As empresas de maior porte costumam dispor de poços artesianos. Já as pequenas empresas utilizam diretamente da água fornecida pela rede pública pela Sabesp e, consequentemente, serão as mais afetadas”.
O advogado pontuou também que a necessidade de ampliar a captação de água em Franca é antiga, e que a assinatura do contrato para as obras do Sapucaí em 2010 demonstra que o poder público tinha conhecimento desta necessidade, principalmente por conta do crescimento populacional. “Apesar disso, como a obra não foi entregue e a oferta de água não aumentou, todos os anos a sociedade francana é assombrada com o risco de falta de água no período de estiagem. E a justificativa é sempre a mesma: a culpa é da estiagem. Mas, não há somente o fator estiagem. Há também o fator falta de planejamento, que é evidente e a maior prova disso foi a paralisação, por anos, da obra de captação do Rio Sapucaí, que ainda não foi entregue à população”, disse.
Para Guilherme Gomes neste intervalo poucas medidas efetivas foram tomadas para ampliar a captação, armazenamento e a oferta de água na cidade. “Além de obras, outras medidas ambientais também poderiam ter sido estudadas e implementadas, como por exemplo, a realização de estudos para mapeamento e recuperação de áreas de mananciais, que são vitais para a manutenção do volume de água dos rios em períodos de estiagem e medidas para evitar vazamentos e desperdícios de água”.
Os especialistas são praticamente unânimes quando decretam que vamos ter que conviver com mais frequência com estiagens severas, uma das consequências das ações humanas irresponsáveis. Para o advogado da área ambiental, o ideal é uma união de esforços entre o poder público e a sociedade. “Hoje se sabe que a água é um recurso finito e seu uso irracional pode trazer severas consequências para o planeta, o que afetaria diretamente as pessoas. Então, utilizar a água de forma consciente deve ser um estilo de vida das pessoas, podendo ser implementado por pequenas medidas e hábitos que economizam água. Ademais, é muito importante que haja nas escolas campanhas de conscientização com as crianças, uma vez que elas incorporam esse conhecimento com maior facilidade e criam os hábitos conscientes, tornando-se adultos conscientes”, finalizou Guilherme Gomes.
O Jornal Verdade procurou a Sabesp para se manifestar sobre o assunto, eles informaram que estão investindo R$ 297,22 milhões no empreendimento, que tem previsão de conclusão em 2022. “Inicialmente, a previsão era que os trabalhos fossem concluídos em 2017, porém a empresa contratada à época por licitação abandonou as obras. Após decisão da Justiça, a Sabesp foi autorizada, em 2019, a fazer nova licitação e assim dar continuidade aos serviços, que atualmente estão em andamento”, informou.
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Dr. Guilherme, sempre eficaz em todas as areas!