A cidade de Araçatuba viveu uma madrugada de terror nesta segunda-feira, 30. Uma quadrilha fortemente armada atacou três agências bancárias no Centro da cidade e fez moradores reféns. Vídeos que circulam pela internet mostram pessoas amarradas no teto e capô de um carro durante a fuga e quatro reféns andando de mãos dadas pela rua formando um escudo humano para os assaltantes. Houve tiroteio e a ação terminou com três pessoas mortas, sendo um criminoso e dois moradores da cidade, segundo a Polícia. Cinco pessoas ficaram feridas e precisaram de atendimento médico.
Os bandidos espalharam explosivos pela cidade; um deles explodiu e atingiu um ciclista que teve os pés e dedos das mãos amputados. Os criminosos ainda bloquearam ruas e rodovias e também incendiaram veículos para dificultar o trabalho da polícia, além de usar drones para monitorar os policiais.
A suspeita é a de que mais de 20 criminosos tenham participado do ataque. O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Coronel Álvaro Batista Camilo, disse que mais de 350 policiais trabalham nas buscas pelos criminosos desde a manhã desta segunda-feira. O valor roubado não foi informado. O secretário acredita que os criminosos obtiveram informações privilegiadas para praticar o assalto.
A orientação foi para que as pessoas permanecessem em casa, pois os criminosos podem ter espalhado explosivos pela cidade durante a fuga. O comércio não abriu e as aulas nas escolas municipais e estaduais foram suspensas nesta segunda-feira. Em entrevista ao G1, o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges, comentou os momentos de terror vividos na cidade. ‘A esperança nossa é de que em poucas horas a gente consiga pegar pelo menos parte dessa quadrilha muito organizada e perigosa. Foram momentos terríveis, as imagens que circulam nas redes deixam a gente muito triste”, afirmou.
O jornalista Arnon Gomes estava em casa e soube pelas redes sociais do ataque da quadrilha em Araçatuba. Por volta da meia-noite, enquanto navegava pelas redes sociais, viu mensagens como “Orem por Araçatuba e pelos policiais”, “O que está acontecendo em nossa cidade?” e depois recebeu vídeos dos reféns nos grupos de WhatsApp. “Foi aí que eu percebi a gravidade do caso. O episódio me lembrou muito o assalto à Protege, ocorrido em 2017. Em um lance de enorme coincidência, ocorreu também numa madrugada de domingo para segunda. Isso mostra que, definitivamente, o crime organizado chegou por aqui”, afirmou, ao fazer referência a outro mega-assalto ocorrido em Araçatuba há quatro anos, quando cerca de 30 homens armados com fuzis explodiram o prédio da Protege e roubaram milhões. Um policial civil foi morto durante o assalto.
Pela manhã, ao sair de casa para trabalhar, Arnon disse que se deparou com viaturas da polícia, comércio fechado e um ambiente bem atípico na cidade. “O clima era de muito medo. As ruas estavam praticamente desertas. A sensação era a pior possível em todos os aspectos. Moro há 15 anos aqui e, sem dúvidas, este é o momento mais tenso. Definitivamente, aquela ideia de que, fora dos grandes centros, tem uma vida mais tranquila, não existe mais”, disse ele, que mora no Bairro Umuarama, na zona leste de Araçatuba.