A seca prolongada deste ano que castiga diversas regiões também tem mudado a paisagem nos ranchos em Rifaina e Sacramento (MG). Em algumas propriedades, a água da represa chegou a praticamente secar, os pesqueiros ficaram à vista e travessia para outros ranchos podia ser feita a pé pelo rio. O nível bem abaixo do normal perdurou por cerca de dez dias e somente neste sábado, 28, a água do rio subiu novamente, mas ainda reduzido.
Moradores, rancheiros e pessoas que trabalham às margens do Rio Grande testemunham os efeitos da falta de chuvas. Eurípedes Barsanulfo Matos é garçom e responsável pela manutenção no Hotel Jaguara, em Sacramento, onde trabalha desde 2007, e disse que pela primeira vez assiste a uma baixa tão intensa na represa. O Hotel tem uma prainha com cerca de 200 metros de extensão. “A água está indo embora, já reduziu uns quatro metros, tem uns dez dias isso. É muito triste, eu gosto da época das águas, faz bastante tempo que estamos sem chuva, acredito que mais de 70 dias. Está tudo seco, a geada matou parte da vegetação e a seca está acabando com o resto”, afirmou ele.
A empresária Carolina Oliveira Cantieri, uma das proprietárias da Porto Marina Farol, em Rifaina, também percebeu os reflexos da seca na represa há duas semanas. “Temos a Marina há mais de 20 anos e não me recordo de ter visto a represa tão baixa como agora. Isso é muito preocupante porque Rifaina vive do turismo e, se baixar mais, teremos muitos prejuízos. Alguns ranchos já não estão descendo os barcos porque o rio está muito baixo, não tem água. Com isso, o pessoal deixa de ir para os ranchos, reduz o movimento e afeta a cidade toda porque o comércio para”.
Em 2014, os donos de ranchos enfrentaram situação parecida com a seca. Mas a estiagem de 2021 é tida por alguns especialistas como a mais severa dos últimos 90 anos e assola novamente os rios da região.

Nível da água na represa Jaguara ficou dez dias bem abaixo do normal, pesqueiros ficaram expostos com a seca
Com a escassez no regime de chuvas, o nível da represa deve continuar oscilando com frequência. A Usina Hidrelétrica Jaguara, comandada pela empresa francesa Engie desde 2017, emitiu um comunicado oficial no começo de agosto sobre a operação com níveis reduzidos em seu reservatório. A reportagem do Jornal Verdade acionou a Engie para detalhar as medidas que estão sendo adotadas para enfrentar a estiagem intensa neste ano e como deve se comportar o nível da represa nos próximos meses. A assessoria de imprensa da empresa enviou no começo da noite deste sábado, 28, o comunicado que emitiu no começo de agosto sobre o comportamento dos reservatórios:
Devido ao cenário hidrológico desafiador em todo o país, em especial na bacia do Paraná, a Usina Hidrelétrica de Jaguara, localizada no Rio Grande, informa que o seu reservatório atingirá níveis inferiores aos habituais, podendo ocorrer variação em alguns períodos do dia.
O reservatório poderá chegar até a cota de 556,50m, ou seja, 0,5m abaixo do nível mínimo atual, mas ainda assim dentro das margens legais de operação do reservatório, que são 555,5m (inferior) e 558,5m (superior).
Essa medida visa atender à solicitação do Operador Nacional do Sistema (ONS) de flexibilização das restrições operativas das usinas hidrelétricas com o objetivo de otimizar o fornecimento de energia, garantindo a oferta de energia elétrica ao SIN (Sistema Interligado Nacional).
Além desta ação, outras iniciativas para o enfrentamento da crise hídrica encontram-se em andamento, as quais foram estabelecidas e conduzidas a partir da instituição da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética – CREG, pela MP 1.055 de 28/06/2021.
