Na sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (23), seria votado o projeto de lei que criava o programa de auxílio transporte encaminhado pelo prefeito Alexandre Ferreira. O projeto previa o repasse de um milhão, trezentos e cinquenta mil reais à empresa São José, concessionária responsável pelo transporte público coletivo da cidade.
Após a manifestação da maioria dos vereadores de que votariam contrariamente ao projeto, o prefeito solicitou a retirada do projeto que não seguiu para votação, o que causou desconforto entre os parlamentares que já haviam se preparado para justificar o voto contrário ao repasse.
O vereador Della Motta (POD) disse que foram cerceados de manifestar os seus posicionamentos no projeto e argumentou que o relatório da CEAR (Comissão Especial de Assuntos Relevantes) criada em 2017 pelos vereadores e presidida pelo ex-vereador Corrêa Neves Júnior, prevê todas as irregularidades na prestação dos serviços e falta de transparência por parte da empresa na execução do contrato, e enfatizou “é uma empresa que faz uma greve no dia de mutirão de vacinação de combate ao Covid, é uma empresa que tem a cara de pau de entrar no Judiciário pedindo a redução de 30%, uma empresa que não cumpre uma cláusula de contrato e que fizeram umas picaretagens dos pontos de integração. Uma empresa que não tem respeito aos trabalhadores da nossa cidade e que nunca foi punida pela EMDEF, e que tudo o que se refere a essa empresa é nebuloso”. O vereador, que era contrário ao repasse, ainda pontuou que esta votação seria o momento “de separar os homens dos meninos”, fazendo referência aos posicionamentos que os vereadores tomariam diante da votação de um projeto tão relevante, mas que infelizmente tiraram deles o direito de explicar os motivos pelos quais o projeto não era adequado.
Carlinho Petrópolis (PL) disse que “a empresa São José é o calvário que há nesta cidade” e que o projeto deveria ter disso retirado antes de ser colocado em pauta.
Desde março o Jornal Verdade tem noticiado a possibilidade da criação de um projeto que poderia de algum modo beneficiar a empresa São José, e desde que o projeto foi protocolado informou a respeito, trazendo os posicionamentos de todos os vereadores, o que auxiliou a população na fiscalização do posicionamento de cada parlamentar, conforme foi ressaltado por Gilson Pelizaro (PT), que a iniciativa da imprensa em fazer um levantamento prévio da votação motivou a retirada do projeto.
No início da noite a assessoria de comunicação da prefeitura emitiu comunicado oficial informando a população que notificou a empresa para que retomasse a prestação dos serviços imediatamente sob pena de aplicação das penalidades previstas no contrato, que podem ser multa e até rescisão.