Reportagem Fernando de Paula
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Franca, deflagrou na manhã de ontem (5), a “Operação Princípio Ativo”, contra uma quadrilha de falsificadores de agrotóxicos. De acordo com os promotores, 22 pessoas foram presas e treze estão foragidas. O chefe da organização foi preso na cidade de Rio Quente, no estado de Goiás, mas ele é de Igarapava. A força tarefa foi realizada em conjunto com a Polícia Militar e a Corregedoria da Polícia Civil.
Em entrevista coletiva ainda nesta quinta, os promotores do Gaeco contaram que há cerca de 2 anos deram início às investigações que levaram às buscas, apreensões e as prisões realizadas pela operação.
Pelo menos três organizações criminosas foram desmanteladas por conta do trabalho do MP. Um policial civil de Igarapava também foi preso, de acordo com a investigação ele recebia proprina de suspeitos para repassar informações privilegiadas a respeito de possíveis operações contra a quadrilha. Também foram realizadas buscas e apreensões na casa de um vereador de Igarapava.
No total foram cumpridos 160 mandados de busca e 35 mandados de prisão preventiva, que foram executadas nas cidades de Igarapava, Buritizal, Ituverava, Franca, Cristais Paulista, Ribeirão Preto, Serrana, São José do Rio Preto e Monte Aprazível, além de outros municipios nos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
O promotor Adriano Mellega contou que os integrantes da organização eram extremamente organizados. Existia um núcleo gráfico responsável pela criação dos rótulos falsos que eram usados na falsificação.
“Foi possível delinear que, somente em 2018 e em relação a apenas duas empresas utilizadas pelo grupo, foram emitidas 808 notas fiscais falsas, cujos valores totais ultrapassam 110 milhões, sendo que, ao longo dos anos, as organizações criminosas constituíram e utilizaram ao menos 51 pessoas jurídicas”, informou o Gaeco.
Uma grande quantidade de materiais foi apreendida, computadores, celulares, anotações, documentos, entre outros, que agora serão periciados. Os presos foram levados para a sede da Delegacia de Investigações Gerais de Franca (DIG), onde a prisão foi registrada, após eles foram recolhidos ao Sistema Prisional de Franca.
Impacto
Durante a coletiva os promotores explicaram que toda a ação criminosa causou um rombo até mesmo no Produto Interno Bruto (PIB) do País.”Durante as investigações apurou-se, ademais, que as atividades criminosas inerentes à falsificação e contrabando de agrotóxicos causam, no cenário nacional, somando os impactos diretos e indiretos, prejuízos na casa de R$11,0 Bilhões de reais aos setores econômicos, R$3,2 Bilhões em PIB, 39,7 mil postos de trabalho e R$1,4 bilhão em salário dos trabalhadores, fora o prejuízo direto a indústria de defensivos agrícolas de cerca de R$5,4 Bilhões, vindo a impactar, portanto, não só a saúde da população, como toda a economia nacional, já que o setor da contrafação representa de 10% a 20% do mercado legal no Brasil”, informou.
Participaram da coletiva os promotores do Gaeco Rafael Piola, Adriano Mellega, Paulo Guilherme Carolis e CláudioEscavassini.
Os agentes do Gaeco avaliaram ainda que o esquema causa um impacto no meio ambiente, já que são falsificados sem qualquer supervisão de um técnico especializado, e também na saúde da população que consome os alimentos onde esses agrotóxicos são utilizados.
“São vários malefícios causados pela prática criminosa, que agora estão sendo apuradas e já estavam sendo investigadas há 2 anos. Já realizamos algumas diligências e seguem as investigações”, finalizou o promotor Adriano Mellega.
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Por que nao dizem os nomes desses bandidos?