Por Pedro Maia
Editor-chefe
Entra em vigor nesta quarta-feira, 22, a medida do Governo dos Estados Unidos (EUA) que impõe tarifas adicionais de 25% sobre os produtos vindos do Brasil. Entre os itens que receberão a aplicação estão o etanol, máquinas agrícolas, vestuário, papel, açúcar orgânico e calçados. Este, acende o sinal de alerta para o município de Franca, que possui um dos principais polos da categoria no país e lidera a fabricação de calçados masculinos de couro.
“Recebemos essa notícia com enorme preocupação. Franca construiu ao longo de décadas uma reputação internacional baseada em qualidade, tradição, inovação e seriedade. O mercado norte-americano é estratégico para muitas empresas do nosso polo e essa nova tarifa reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro frente a concorrentes internacionais”, afirma Toni Hajel, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca). Ele entende que a decisão coloca em risco investimentos, empregos e oportunidades de crescimento para centenas de empresas da cadeia produtiva francana.
Medida cria obstáculos ao município
O setor calçadista de Franca reúne fabricantes, fornecedores de insumos, prestadores de serviços e milhares de trabalhadores que dependem da força das exportações para manter a atividade econômica em toda a região. Segundo o presidente do Sindifranca, a medida não penaliza apenas as indústrias brasileiras, mas também impacta importadores, varejistas e consumidores norte-americanos.
“Trata-se de uma decisão que prejudica uma relação comercial construída ao longo de muitos anos. O aumento dos custos compromete negócios que estavam sendo retomados, reduz margens, dificulta novos investimentos e afeta diretamente a geração de emprego e renda. Em um momento em que o setor busca ampliar mercados e fortalecer sua presença internacional, essa medida cria um obstáculo importante para o desenvolvimento da indústria”, explica.
O Sindifranca destaca ainda que a indústria calçadista brasileira possui papel complementar na cadeia de abastecimento dos Estados Unidos, atendendo nichos específicos e agregando valor por meio de produtos diferenciados, produzidos com tecnologia, design e mão de obra altamente qualificada. “Franca é reconhecida mundialmente pela excelência de seus calçados. Nossas empresas investem continuamente em inovação, sustentabilidade, qualificação profissional e produtividade. É fundamental que prevaleça o diálogo e a busca por soluções técnicas e diplomáticas que permitam a revisão dessa medida e a preservação das relações comerciais entre os dois países”, ressalta Toni Hajel.
O sindicato acompanha atentamente os desdobramentos do tema e manifesta profunda preocupação com o caso. De acordo com Toni, tudo é uma guerra política e que, justamente, nasce aqui no Brasil. “A gente está saindo prejudicado nisso. Tinha que ter uma saída diplomática com o nosso Governo Federal para minimizar esse impacto tão gigante. Isso só se resolve com diplomacia, que deve haver entre os dois governos”.