De acordo com dados do Ministério da Saúde, os atendimentos ambulatoriais relacionados ao diabetes aumentaram de forma expressiva. Em 2023, foram registrados 20.634.205 atendimentos no país. Já em 2024, esse número mais que dobrou, alcançando 42.618.769 registros. Em 2025, dados parciais indicam nova elevação: apenas nos três primeiros meses do ano, foram contabilizados 20.535.555 atendimentos, quase igualando o total de 2023.
O diabetes é uma síndrome metabólica de origem múltipla, decorrente da falta ou da incapacidade de a insulina exercer adequadamente seus efeitos. “A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que controla o nível de açúcar no sangue. Quando o corpo não produz insulina ou não a utiliza corretamente, a glicose se acumula no sangue, levando ao diabetes, caracterizado por taxas elevadas de açúcar de forma contínua”, explica a endocrinologista do Grupo Santa Casa de Franca, Dra. Aniette Renom Espineira.
A data de 26 de junho marca o Dia Nacional do Diabetes, instituído para conscientizar a população sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e controle da doença. A campanha surgiu em parceria entre o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar os brasileiros sobre os impactos do diabetes.
Existem diferentes tipos de diabetes, sendo os principais o tipo 1 e o tipo 2. O tipo 1 é uma condição autoimune em que o sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Já o tipo 2, mais comum, está geralmente relacionado a fatores como excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e predisposição genética, resultando na resistência à insulina ou na produção insuficiente do hormônio. Há, ainda, o diabetes gestacional, que pode surgir durante a gravidez e exige cuidados específicos para a saúde da mãe e do bebê.
A médica destaca que, embora o diabetes tipo 1 não possa ser evitado, o tipo 2 é amplamente prevenível. “Adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso corporal é essencial para reduzir o risco de desenvolver a doença”, afirma. O acompanhamento médico periódico também é fundamental, especialmente para pessoas com histórico familiar de diabetes ou outros fatores de risco.
O controle do diabetes envolve mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos ou aplicação de insulina conforme orientação médica. Monitorar os níveis de glicemia e manter os exames em dia são passos importantes para evitar complicações, como problemas renais, cardiovasculares, na visão e nos nervos periféricos. Informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado fazem diferença na qualidade de vida das pessoas com diabetes.
Complicações do diabetes
Sem controle adequado, o diabetes pode comprometer diversos órgãos e sistemas do corpo. Entre os principais riscos estão as doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, mais comuns devido à associação com hipertensão e níveis elevados de colesterol.
A doença é atualmente a principal causa de ingresso em programas de diálise e terapia renal substitutiva, superando a hipertensão — cenário impulsionado pelo aumento global de sobrepeso e obesidade. Por isso, estratégias de saúde pública e ações multidisciplinares têm priorizado a promoção de hábitos saudáveis como forma de conter o avanço das doenças cardiometabólicas.
O diabetes também pode causar doença renal crônica, além de retinopatia diabética, condição que pode levar à perda parcial ou total da visão e que é, segundo a OMS, a principal causa de cegueira evitável no mundo. Outra complicação frequente é o comprometimento dos nervos periféricos, com sintomas como dores, formigamentos e perda de sensibilidade, especialmente nos pés — o que eleva o risco de feridas e infecções. O diabetes é, inclusive, a principal causa de amputações não traumáticas de membros inferiores no mundo.
“A prevenção dessas complicações depende diretamente do controle glicêmico, da adesão ao tratamento e do acompanhamento médico regular”, reforça a endocrinologista. “Identificar alterações precocemente permite a adoção de medidas para evitar a progressão da doença”, conclui.
Sobre o Grupo Santa Casa de Franca
O Grupo Santa Casa de Franca, referência regional de urgência e emergência em média e alta complexidade, envolve três unidades hospitalares: Hospital Geral, Hospital do Câncer (Unidade Oncológica), Hospital do Coração (Unidade Coronariana), além de um Centro de Reabilitação com atendimento multidisciplinar.
A entidade também atua como OSS (Organização Social de Saúde) e administra os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) das cidades de Franca, Taquaritinga, Casa Branca, Campinas, Vale do Jurumirim, São Carlos e Ribeirão Preto.
Sendo a única instituição de referência terciária do SUS em toda a região, atende a 22 municípios do DRS-VIII (Departamento Regional de Saúde), incluindo Franca – o que abrange uma população estimada em mais de 700 mil habitantes.