• TEATRO | MONGA
Com Jessica Teixeira
No próximo dia 12 o público poderá conferir no palco do Teatro do Sesc Franca a atuação de Jessica Teixeira, que interpreta e dirige o espetáculo inspirado na história de vida da mexicana Julia Pastrana, vulgarmente chamada de “mulher macaco” e transformada em atração de freak shows. A encenação logo se inicia com os seguintes questionamentos: “Você se imagina com 100 anos?”, “Isso é um carma?”, “Para onde a gente vai depois que a gente paga o carma?”.
Julia Pastrana, intérprete, cantora, bailarina, mulher poliglota e à frente do seu tempo, carregava em seu DNA a hipertricose (doença rara que causa excesso de pelos pelo corpo) e um maxilar marcante que foram explorados como característica para chamá-la, vulgarmente, de mulher macaco; e, na sequência, ser explorada como “atração” em circos. Julia morreu aos 26 anos após complicações no parto de seu filho, que faleceu algumas horas após o nascimento. Seu corpo foi embalsamado e adquirido, ao longo de décadas, por diferentes “proprietários”.
Jessica Teixeira é produtora, diretora, dramaturga e a atriz que dá vida à personagem Monga. Graduada em Teatro — Licenciatura pela Universidade Federal do Ceará (2010-2013) — e Mestre em Artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes (2016-2018) também pela UFC. Trabalha com as artes da cena desde os 7 anos e, atualmente, faz do seu corpo estranho matéria-prima da sua pesquisa que gerou seu primeiro solo “E.L.A” (2019), que segue circulando pelos principais festivais nacionais e internacionais.
A atriz, que possui uma condição corporal diagnosticada como fusão de arcos costais (vértebras e costelas fundidas e soldadas entre si, escoliose acentuada e lordose na região torácica), ocupa no palco um cenário inspirado em um estúdio fotográfico, com luzes em movimento, TV’s digitais e um grande Softbox, que destacam seu corpo nu em cena. Um globo de espelhos e um chão que simula espelhos quebrados dão a sensação de que a artista anda sobre a água. Durante a performance Jessica interage diretamente com o público, dançando, cantando e fazendo perguntas provocativas enquanto circula pelo espaço gerando um desconforto psicológico com pitadas de humor nervoso.
Monga traz à superfície a faceta capacitista da sociedade em um espetáculo que desafia normas e padrões sociais que definem quais corpos podem ser chamados de normais e quais não se enquadram nesses padrões há tanto estabelecidos e, que se posiciona em defesa da dignidade humana independente da aparência que o corpo tenha.
Ficha técnica:
Direção, dramaturgia e atuação: Jéssica Teixeira
Direção de arte: Chico Henrique
Direção musical e Músico: Luma
Direção técnica e desenho de luz: Jimmy Wong
Direção de vídeo/fotografia e operação de câmera: Ciça Lucchesi
Preparação corporal: Calixto
Contrarregra: Aristides Oliver
Produção: Corpo Rastreado
Realização: Catástrofe Produções e Corpo Rastreado
Difusão: Corpo a Fora e Farofa.
Serviço
Data: 12 de abril. Sábado, 19h30
Classificação indicativa: 18 anos
Local: Teatro do Sesc Franca
Ingressos à venda: R$15 (credencial plena), R$25 (meia), R$50 (inteira)
• TEATRO | O GUERREIRO E O CURUPIRA
Com Grupo de Artes Dyroá Bayá
Formado em 2002 por Severiano Kedasery, da etnia Tariano, e Ermelinda Yepário, da etnia Tukano, o grupo tem origem em Iauaretê, no Amazonas e, desde 2019, atua no Estado de São Paulo. Com o intuito de apresentar sua cultura, mostrar sua arte ancestral para a sociedade atual e divulgar as tradições indígenas dessas duas etnias, o grupo pretende ampliar o espaço de diálogo com os per’kasãs (não indígenas).
Destacando os saberes indígenas — fundamentais para despertar reflexões sobre os problemas raciais do país e para tensionar e ampliar as possibilidades de criação e elaboração artística — o espetáculo infantil “O Guerreiro e o Curupira”, do Grupo de Artes Dyroá Bayá (AM/SP), é uma história indígena que narra a vontade de um guerreiro em ganhar o respeito do seu povo. Para conseguir, ele decide sequestrar o filhote do Curupira, mesmo sabendo dos riscos que corria.
Por causa dessa vontade de ser reconhecido como guerreiro, passa a desobedecer até os conselhos do grande pajé. Graças a essa aventura, ele é lembrado até hoje pelos povos indígenas do Alto Rio Negro no Amazonas.
A concepção da obra é de autoria de Anderson Kary Báya (xamã, pesquisador da cosmovisão, das danças, dos cantos e dos grafismos de seus povos Tariano e Tukano e diretor do grupo) e o resultado dessa história é uma grande aventura que será contada no Teatro do Sesc Franca, no domingo dia 13, para crianças e adultos de todas as idades.
Ficha técnica:
Produção: Dayane Nunes
Concepção e atuação: Anderson Kary Báya
Produção e atuação: Lorena Tófani
Atuação: Ermelinda Yepario
Atuação: Dhemeson Batista
Fotografia: Lua Porto
Cenografia: Frank Kitiziger
Serviço
Data: 13 de abril. Domingo, 16h
Classificação indicativa: Livre
Local: Teatro do Sesc Franca
Ingressos à venda: R$12 (credencial plena), R$20 (meia), R$40 (inteira)
Grátis para crianças até 12 anos
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Ingressos podem ser adquiridos via aplicativo Credencial Sesc SP, Central de Relacionamento Digital (desktop) ou presencialmente nas unidades do Sesc