Reportagem Fernando de Paula
Foi identificado pela DIG de Franca, o suspeito de agredir a jovem transexual Eva Alves Maria, de 19 anos. O homem de 26 se apresentou na delegacia na manhã de ontem(13), onde foi reconhecido, prestou depoimento e foi liberado.
De acordo com o delegado Márcio Murari, o suspeito confessou que agrediu Eva, mas negou que foi por homofobia. Ele declarou ainda que foi agredido primeiro. Inicialmente ele foi indiciado por lesão corporal dolosa de natureza grave. O inquérito prossegue para apurar por completo os fatos e a participação de outras pessoas.
A estudante Eva Alves Maria esteve na sede do Verdade, acompanhada de seu advogado, Hugo Soares. Ela negou que tenha agredido primeiro.“O que aconteceu é que nós discutimos, depois disso ele saiu e voltou com ripas de madeira. Saí de uma festa e fomos até a Estação e ficamos no coreto. Um grupo de meninas estava nos bancos, quando uns homens chegaram e começaram a brigar com elas. O homem que me agrediu estava gritando com uma dessas meninas, eles não são um casal, ele apontava o dedo pra ela e falava muito alto. Eu cheguei até lá e mandei ele se afastar e começamos a discutir. Eu não encostei nele, enquanto isso fui agredida verbalmente com palavras transfóbicas. Se isso não é transfobia eu não sei o que é”, relatou.
Eva contou ainda que várias pessoas defenderam a menina, mas que o agressor e os amigos já tinham ela como alvo. “Eles fizeram um círculo em torno de mim e dele para que ninguém apartasse. Ele veio com o pedaço de madeira e eu coloquei o meu braço na frente, que acabou quebrando. Ele ainda acertou a minha cabeça. O agressor queria me matar”.
Para o advogado de defesa, Eva foi vítima de crime de racismo e de tentativa de homicídio. Ele explicou ainda que a mulher foi ferida nas esferas criminal, civil e administrativa. “A principal agora é a criminal, ele precisa ser punido, ressocializado e isso precisa de servir de exemplo”.
O advogado finalizou explicando que a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos, e destacou os direitos conquistados. “A lei 10.948 é fundamental. Se uma pessoa sofre uma transfobia dentro de um estabelecimento, este local pode ser multado e até fechado. Outra questão muito importante de ser destacada é em relação ao pedido de registro civil. Todas as pessoas trans com mais de 18 anos podem fazer a retificação de registro do nome social e realizar a mudança no próprio cartório, apenas levando as certidões, ela tem esse direito”.
Eva finalizou afirmando que a situação afetou drasticamente a forma com que ela vive. “Hoje eu fiquei muito aliviada, porque várias mulheres trans já sofreram agressões como essa e muitas passaram em branco. Algumas foram mortas. Apesar de tudo acredito que tive sorte porque meu caso tomou repercussão e eu tive muito apoio. Eu tenho medo sim de sair na rua, por que junto ao agressor tinham mais pessoas que não foram encontradas. Ele ainda tem muitas proteções sociais. Ele é homem, hétero, branco, então a palavra dele muita das vezes é mais aceitável do que a minha. Sinto que as coisas são diferentes” desabafou.