Apesar da falta de representatividade de pessoas com deficiência em espaços relevantes, é uma população expressiva no Brasil: de acordo com o Ministério da Saúde, em 2023 havia 2,5 milhões de brasileiros com deficiência motora. Um recorte que chama atenção é que no país, a cada hora, 3 brasileiros sofrem amputação de pernas ou pés. Independentemente do que ocasionou tal condição, o processo de readaptação é desafiador.
Dois casos emblemáticos que ilustram esta transformação são o de Vinícius, atleta paralímpico que está participando do BBB 24, que perdeu a perna após um acidente de trânsito aos 19 anos, e o de Mingau, baixista do Ultraje a Rigor, baleado no ano passado em Parati e que sofreu uma perda brusca de mobilidade. Recentemente teve alta da UTI e está em um centro de reabilitação de transição até poder ir para casa.
O que Vinícius enfrentou no passado, Mingau vive no presente: a reconstrução da vida após um trauma. Para paciente e família, a vida pós diagnóstico médico se apresenta de maneira silenciosa. Atividades corriqueiras se transformam em situações complexas, e na maioria das vezes precisam ser resolvidas sem a assistência adequada. Ao sair do hospital, uma série de adaptações são necessárias para essa nova etapa — das tarefas do cotidiano, como comer, tomar banho e vestir uma roupa, à reestruturação da casa para comportar uma pessoa com mobilidade reduzida.