Um estudante de curso primário deve saber que ele só vai comer um lanche no recreio se tiver dinheiro no bolso. Óbvio, simples, raso… Em qualquer situação, única e simples, é isso, mas enquanto cai a receita de ICMS e IPI na cota dos municípios, vem aí o IPVA e O IPTU, em cotas previamente conhecidas de quanto vão render, mas não há garantia de que será pago, pois a situação está incerta, insegura, imprevisível e intranquila. Ponto.
A previsão orçamentária vai correr risco e o gasto continua na direção errada, já que deveria ser contido e programado dentro da realidade. Em gestão pública, deixar rombo no caixa pode dar cadeia, quando a improbidade vai além do impeachment. A perigosa e suspeita correção de valores ou adendos em planilhas de custos das obras quando licitadas com a possibilidade de ter o custo revisto por qualquer circunstância, reajuste sempre em percentual alto, surpreendente e inviável mas, por jogada política e autorização (vulgo ‘cumplicidade’) do Legislativo.
É impossível estimar o custo real e limitado para qualquer obra em função da inflação e custos não alinhados, ainda que seja um serviço de padrão conhecido e prática usual de mercado, quando comparado entre opções, tipos, prazos, entregas e prazos de conclusão. A pior situação acontece quando há surpresa sobre situação de terreno,intempéries e fenômenos fora da expectativa, sempre usados e validados quando se coloca como anteparo a ‘necessidade extrema’, incomensurável por ter concepção mais política do que técnica. De acordo com tudo que já se viu até hoje, sem muitas diferenças entre obras, serviços, contratos e custos.
E que não venha justificar como motivo para ter ‘voto d confiança’ e poder concluir as obras já iniciadas, como pretendia o ex-presidente da Câmara, Carlos Buce, talvez julgando inocentes seus pares e usaria tal desculpa para mais uma reeleição inútil. As correções de vazamentos no telhado e outros incômodos se fossem sanados por antecessores descuidados e incompetentes, hoje não custam tão caro com está sendo feito, em torno de R$ 3 milhões, podendo ser reajustado dentro dos longos oito meses previstos (a tempo de inaugurar nas eleições, obviamente, assim planejaram).
É temerário prever o que ainda está por vir, dentro do que já se conhece como ‘modus operandi’ de gestores mal acostumados a fazer obras sem planejamento e, na maioria dos casos, ávidos para satisfazer a sanha eleitoreira e gastar desmedidamente. Tanto que, nos casos semelhantes e como ficou provado em ações investigadas pelo Ministério Público em várias cidades do país, principalmente durante as compras para a campanha de ‘proteção’ à COVID, o superfaturamento e falta de necessidade desses gastos, pegou as artimanhas de políticos, muitos deles sem declarar patrimônio ou na falta disso tiveram bens de ‘laranjas’ e parentes confiscados por golpes contra o erário.
Ter ‘barbas de molho’ e ficar atento nesse ano eleitoral, é o mínimo que se faz, porque de ‘boas intenções de gente boa’, há casos arrepiantes e o cemitério está cheio desses personagens da rapinagem.