Franca chega aos 200 anos com amargos resquícios no desmonte de patrimônio de inúmeras agremiações clubistas que só serviram de oportunismo em nocivas gestões, onde a maioria hoje tem apenas sobras e restolhos de grandes momentos e realizações, valores que escoam no ralo de malandragens e decepções. A mais recente vai tomar parte do Estádio da A. A. Francana por ‘permuta’ de impostos municipais em valor abaixo do mercado imobiliário!
Nem muito longe no tempo, vimos à derrocada de tradições clubistas, fracassos de propósitos desvirtuados nessas associações classistas, sociais, esportivas e culturais, quando as finalidades e intenções de pessoas que as organizaram perderam sentido ao serem usados para vantagens pessoais, quase sempre os mesmos personagens que vivem do esbulho alheio.
No caminho da rodovia vicinal e Pedregulho à Usina Estreito, a grande área usada num projeto do “Iate Clube”, reunindo esportes náuticos, pesca recreativa e lazer no espaço paisagístico exuberante entre colinas, mata e a água da represa. Nada foi concretizado e virou piada de que o Estreito “ia–ter” Clube! Em Rifaina, o ‘Águas do Vale’ não passou de um projeto…
Outro clube criado para famílias de policiais militares à margem da Rodovia Eng.º Ronan Rocha, aos poucos foi se desfazendo, numa sede bem planejada e local aprazível. Antes, a ‘associação de advogados’ não foi adiante, sendo adquirido imóvel na Rua Luiz da Silva Diniz, bairro São José. A sede recreativa dos sapateiros viveu euforia de propósitos e desinteresse da classe selou a lenta decadência. Tal qual o CPP dos professores no bairro Santa Rita, antes bem movimentado hoje somente preservam o imóvel no clube sem frequência.
O Clube dos Bagres que durante décadas reuniu praticantes de futebol-society, tênis, natação, futsal, foi o templo inicial do basquetebol masculino, que no triste episódio recente teve o desabamento do teto no ginásio, e o clube se dissolveu, hoje inativo e poucos filiados sem manutenção do que restou das quadras e piscinas desativadas. A sede campestre na Rodovia Cândido Portinari, perto de Cristais Paulista, fracassou e a área virou propriedade particular. O Comercial F. C., da Vila Monteiro virou loteamento e nada mais.
A tradicional sede urbana da AEC (fantasia de empregados do comércio) foi da elite francana no século passado e hoje é uma loja de bugigangas. Resta a sede campestre encravada em área de represa e loteamentos no entorno, vive o risco de ser ‘engolida’ pela especulação imobiliária. O Yara de 1955 perdeu sede campestre por inadimplência de tributos e má gestão.
Sobrevivem o centenário “Palmeirinhas” da Cidade Nova e o Internacional E. C. na Estação teve sede campestre no bairro City Petrópolis fechada; AABB de funcionários do Banco do Brasil na Avenida São Vicente, deve ser loteado. O Clube de Campo de Franca com 84 alqueires no município de Restinga, de 400 sócios proprietários originais, restam pouco mais de 100 no conjunto de salão de festas, bares, piscinas, sauna e campos de chacrobol e tênis.
Perto do fim, a centenária A. A. Francana ao lado do Cemitério tem área doada pela família do Coronel Nhô Chico, na falência do futebol profissional nos anos 90, tem a ‘mão grande’ do prefeito onde jovens treinam futebol (adultos usam o estádio municipal Lanchão). Ali o prefeito quer trocar dívida do clube assumindo uma parte por preço do m² abaixo do mercado e criar um ‘camelodrómo’ de barraquinhas e ponto de micro-ônibus! Conselheiros rejeitam e, apressado, o prefeito enviou projeto aos pares da Câmara para concretizar a aberração dispendiosa e inútil.