Com a chuva intensa e volumosa registrada em Franca nesta quinta-feira e madrugada de sexta-feira, os moradores do Jardim Palmeiras voltaram a viver o pesadelo das enchentes. Um córrego que corta o bairro não suporta a vazão de água e casas acabaram inundadas. O problema se arrasta há anos, mas a solução passa longe de ser concretizada, se restringe a promessas políticas.
A população do bairro se diz saturada com a situação e cansou de conviver com o medo de ter suas residências invadidas pela água e barro, além de prejuízos com perdas de móveis, roupas e alimentos. A revisora de sola aposentada Regina Xavier, 56, mora com a irmã em uma casa na Rua Anésio Basílio dos Santos faz 18 anos e afirma que todo ano a história se repete. A água já chegou a atingir um metro e meio de altura no imóvel e elas perderam móveis e uma compra de supermercado inteira que haviam acabado de fazer. À época, com a ajuda de vizinhos, ela esvaziou a casa inteira e só conseguiu retornar depois de 15 dias. O apoio, segundo ela, costuma ser apenas da vizinhança. “Desde que moro aqui, a gente reclama, mas ninguém toma atitude, só fala que vai fazer alguma coisa e nada. A Prefeitura vem e só tira a sujeira, mas isso não resolve, o córrego é estreito e não aguenta toda água que vem dos outros bairros, que aumentaram muito aqui na região. A gente paga imposto tudo certinho e quando precisa não tem apoio, não tem retorno”.
Regina disse que os moradores costumam passar a noite em claro quando tem tempestades, como na madrugada desta sexta-feira. “A gente abre a porta toda hora para ficar olhando se o córrego está transbordando. Quando alaga, vem água e barro de esgoto muito fedido. Não pode dar uma chuvinha que a gente morre de medo”, disse a moradora, ao comentar que desta vez apenas a garagem encheu de água, mas que soube que pelo menos cinco casas do bairro tinham sofrido inundações.
A agente escolar Keila Aparecida dos Santos reside no Jardim Palmeiras desde 2010 e testemunha os problemas com as chuvas todos os anos. Duas residências ao lado dela precisaram ser demolidas em meados de 2008 por causa das enchentes. Ela disse que a casa dela só não voltou a inundar durante a chuva desta semana porque percebeu que chovia forte e retirou as tampas dos ralos, além de ter furado buracos na parede externa com martelo para a água escoar. “Mesmo assim, meu quintal acabou ficando cheio de lama e água. Tem que alargar o córrego e dar manutenção nele sempre”, afirmou a moradora.

Além das enchentes no Palmeiras, houve queda de uma árvore em Franca, no Parque Universitário, que deixou a região sem energia elétrica durante parte desta sexta-feira.

Pela previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para Franca, o fim de semana não deve registrar grande volume de chuvas, mas há possibilidade de pancadas e trovoadas pelo menos até terça-feira (11) na cidade.
A Prefeitura informou que também houve pontos de alagamento em Franca, que foram percorridos pelas equipes do município para monitoramento. No Jardim Palmeiras, a Secretaria de Meio Ambiente realizou a manutenção periódica no local e limpeza nesta sexta-feira. O município comunicou ainda que fará estudos para a execução de obras de melhorias e alargamento do córrego no bairro.

A orientação para a população é para que, em caso de chuvas fortes, evite pontos onde acontecem alagamentos, principalmente nas proximidades dos córregos, e adotem rotas alternativas. A Guarda Civil e a Defesa Civil estão fazendo o monitoramento das áreas de risco.
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Gostei do noticiário sobre o corrego do Jardim Palmeiras. Faz mais de trinta anos que denunciamos os danos causados pela vazão do corrego. Ele é uma nascente que vem do Jardim derminio, passa pela igreja sagrada família, savegnago e desce por um vazio urbano. Com o passar do tempo, é o crescimento dos bairros adjacentes, as águas fluviais foram desaguadas na nascente . Por isso, o volume só aumenta, quando chove com frequência. Corremos sério riscos.