Nelise Luques
Esta quinta-feira, dia 7 de julho, foi especial para crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer ou no Centro de Reabilitação do Grupo Santa Casa de Franca. Uma parceria entre o Hospital do Câncer, a empresa Chok Doce e outros colaboradores permitiu que elas deixassem o ambiente hospitalar ou de casa e muitas das privações que o tratamento lhes impõe para passar momentos divertidos, de convivência social, aprendendo a preparar chocolate duo com o renomado chef Alex Sabino.
Dez pacientes, de 1 a 13 anos de idade, participaram da iniciativa. Foram realizadas duas visitas à loja matriz do Chok Doce, no Centro da cidade, e os encontros foram marcados por muita alegria, sorrisos e emoção. Os grupos foram transportados do Hospital do Câncer até a loja de ônibus da agência de turismo Nena Viagens. Na chegada à loja, foram recepcionados com aplausos e uma “chuva” de papéis coloridos e depois com a música “Mais bonito não há”, no Centro de Culinária.
O empresário Fabiano Arantes, proprietário do Chok Doce, estava bastante emocionado e aproveitou para agradecer a todos os envolvidos na ação. “Um projeto como esse é o que nos traz vida, para que tenhamos uma tarde doce, feliz e de alegria. Vocês trazem leveza e esperança também para a nossa empresa, de que estamos no caminho certo, mostrando que podemos ser luz. Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o mundo das pessoas ao nosso redor”, disse Fabiano aos médicos, enfermeiros, pacientes, familiares e imprensa.
O projeto, batizado de “Chefinhos do Hospital do Câncer de Franca”, alegrou Maria Alice da Silva Ferreira, de 13 anos, paciente há quatro anos da instituição. “Eu achei muito importante estar aqui, porque como a gente faz tratamento contra o câncer, a gente fica muito no hospital ou na Santa Casa, não pode sair muito por causa da imunidade baixa. Eu gostei de aprender a preparar o chocolate com o chef Alex Sabino. No final do ano, ele fez pudins lá no Hospital do Câncer, só que ele já levou pronto e dessa vez a gente aprendeu a preparar com ele. Eu gostei.”
A mãe dela, a dona de casa Daniela Aparecida Ramos Ferreira, acompanhou a filha na Oficina de Confeitaria do HC em parceria com o Chok Doce e elogiou a iniciativa. “Eu só tenho que agradecer a Deus por ter essas pessoas dando essa oportunidade para nossas crianças, tendo uma tarde diferente, porque assim vemos que a vida não é só sofrimento, a gente pode ser feliz, transformando a vida deles. Só tenho que agradecer”, disse a mãe. Maria Alice passou por tratamento contra leucemia linfoide aguda entre agosto de 2018 e janeiro de 2021, depois ficou quatro meses em acompanhamento da doença, mas em junho de 2021, descobriu reincidência do câncer, que atingiu o sistema nervoso central. Ela está em tratamento de quimioterapia no HC de Franca.
O médico Laurence Dias de Oliveira, diretor técnico do Hospital do Coração e Câncer, idealizador deste e de outros projetos sociais para os pacientes da instituição, também se emocionou com o passeio desta quinta-feira. O especialista ainda destacou a importância de ações deste tipo para o sucesso dos tratamentos contra o câncer.
“Nossa busca é tentar humanizar ao máximo o tratamento, trazer um pouco de alegria, algo doce para a vida dessas crianças nesse momento tão difícil. São muitas sessões de quimioterapia, radioterapia, cirurgias e com esse projeto, trazemos alegria a elas, para que consigam esquecer o que estão passando. A parte emocional faz toda diferença no sucesso do tratamento.”
Bruna Bezerra Salviano, oncologista pediátrica que atende os pacientes, reforçou os benefícios da iniciativa para todos eles, que acabam privados do convívio com as pessoas, na escola e têm a vida transferida para dentro do hospital ou de casa.
“Um trabalho como esse é um ponto de luz e de esperança no meio do tratamento deles. Eles confraternizam, saem, encontram outras pessoas, brincam e se divertem fora dali e isso tudo é incrível”, afirmou Bruna, ao destacar que o projeto é uma importante forma de inclusão social das crianças e jovens em luta contra o câncer. “A gente sabe que o ser humano é um conjunto e temos que lembrar que existem vários tipos de dores. A gente fala na chamada dor total, que é a dor social, física, espiritual, emocional, então ter esses momentos de relaxamento é fundamental para eles conseguirem seguir adiante e a para a família também ter essa sensação de que a vida deles está andando, continuando, e que eles estão bem e podem participar de atividades mesmo sendo privados de outras, é uma inclusão.”
