Fernando Lima
O cenário de baixas temperaturas deve permanecer em Franca e também na região, pelo menos até o próximo domingo (22), pelo que aponta o ClimaTempo. Desde a semana passada os produtores de café acenderam o alerta com o risco de geadas, que acabou não se concretizando até o momento, mas ainda assim o frio intenso causa preocupação.
“A preocupação se reside porque a planta do café é suscetível ao frio, a partir de determinado valor se a gente comparar por exemplo com a cana de açúcar, a depender da intensidade de frio, pode trazer bastante perda à planta e a produção”, explicou o superintendente comercial da Cocapec de Franca, Ricardo Lima de Andrade.
Ele ressaltou ainda que até o momento não foram registradas perdas de lavouras de café, como em 2021, quando uma geada fez com que produtores tivessem prejuízos com perdas milionárias. “Até o momento não foram registradas perdas, já fizemos contato com produtores e sem danos severos”, explicou.
O pesquisador do PROCAFÉ, Marcelo Jordão Filho, contou que em algumas lavouras foi registrado uma pequena queima de algumas folhas de café, mas nada comparado ao dano causado por uma geada, por exemplo.
“Fizemos um levantamento de maneira rápida, nas áreas cafeeiras da estação experimental, nós observamos que não houve geada, entretanto, a velocidade do vento associada às temperaturas próximas a 2,5 °, acaba danificando as folhagens novas do café, trazendo aspecto de necrose no tecido, de maneira leve. Foi muito pontual, nas áreas mais baixas da propriedade, nós tivemos relatos de algumas folhas que queimaram, por efeito do frio. Não houve geada como o ano anterior, mas trouxe prejuízos pontuais no aspecto da planta”, explicou.
O Jornal Verdade mostrou que em 2021, duas geadas intensas deixaram marcas profundas na zona rural de Franca. Ela queimaram grande parte da produção agrícola e ocasionaram prejuízos incalculáveis. Sem ter como tomar medidas para evitar a quebra de produção, por se tratar de um fenômeno da natureza, causado pela queda brusca de temperatura, os produtores rurais de Franca decidiram pedir socorro ao poder público para não quebrarem.
“á prevíamos uma perda de 25% em função da seca e agora, com as geadas, podemos ter até 10% a mais de quebra”, disse na época o presidente do Sindicato Rural de Franca, José Henrique Mendonça.
Para se ter ideia da abrangência dos eventos naturais, a primeira geada, mais fraca, havia atingido de 1,5 mil a 1,8 mil hectares de café, causando a queima das folhas e danos superficiais. A segunda, mais rigorosa, deixou a perda ainda mais relevante.